Quem já brincou o Carnaval com certeza conhece os versos da marchinha "Cachaça não é água", tocada há décadas nas farras carnavalescas de todo o Brasil. O que pouca gente sabe é que a música foi composta pelo jornalista, compositor e escritor Marinósio Trigueiros Filho, baiano que viveu em Londrina entre as décadas de 40 e 90. Outros autores que já moraram na cidade, como Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção e Robinson Borba também tiveram suas canções conhecidas nacionalmente ao serem gravadas por Tetê Espíndola e Ney Matogrosso.
Mas a cidade tem outros compositores, um pouco menos conhecidos do grande público, que continuam contribuindo para o grande mosaico da música brasileira.
Fã de música popular brasileira desde a adolescência, Valdenir Nogueira, popularmente conhecido apenas como Nogueira, não acreditou quando soube que uma de suas canções havia sido gravada pelo sambista João Nogueira (1941-2000). "Ele gravou 'Serenô', uma parceria minha com os músicos maranhenses Nonato Buzar e Gerude", afirma o músico ao se referir à canção que integra o repertório do disco "Além do Espelho", lançado pelo artista carioca em 1992.
O compositor londrinense lembra como a canção foi composta. "No início da década de 80 fui convidado para fazer shows em São Luís (Maranhão) e após uma apresentação com o Nonato e o Gerude estávamos tomando uma cerveja quando da janela do quarto avistei uma flor coberta de sereno que parecia sorrir pra mim. Naquele exato momento comecei a cantar o refrão da música: 'serenô/ serenô/ serenô/ e também brotaram lágrimas/ nos olhos do nosso amor'. Logo na sequência o Nonato e o Gerude completaram os versos e a música ficou pronta ainda naquela madrugada", relata o compositor.
Nogueira revela que a gravação do sambista famoso acabou gerando um série de pedidos de novas composições. "Tenho cerca de 60 músicas gravadas. A maioria delas por artistas que atuam a nível regional. Muitos artistas do Nordeste do país e que não são muito conhecidos no Sul acabaram gravando minhas canções", conta.
Atualmente, Nogueira trabalha como produtor musical em um estúdio de gravações que montou no centro da cidade. "Continuo compondo. Além de MPB, faço canções gospel e até trilhas para campanhas eleitorais", revela o músico. Fã de Tom Jobim e Roberto Carlos, curiosamente o londrinense que tem mais de 30 anos de carreira acabou se afastando dos palcos por conta das atual produção musical brasileira. "Gosto de Bossa Nova e música popular brasileira de boa qualidade. Me recuso a deixar de tocar Caetano Veloso e Djavan, entre outros compositores que admiro, para atender o pedido de algum ouvinte que gosta de músicas que tocam nas paradas de sucesso e cujas letras não dizem nada. Para não ter que abandonar o palco na metade do show, tenho preferido ficar em casa", queixa-se.

Continue lendo:

- Inspiração em fatos do cotidiano

- A música a serviço do teatro

mockup