Compositor explica hoje seu proceso de criação
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terça-feira, 17 de julho de 2001
De Londrina 
Uma vocação professoral parece despontar em Arrigo Barnabé. Pela segunda vez em um mês, o artista volta à sua cidade natal para explicar como compõe. Na primeira visita, deu uma aula-espetáculo na UEL. Hoje, ministra a oficina Processo de Criação na Música de Arrigo Barnabé no 21º Festival de Música de Londrina.
A Oficina será realizada das 9 às 17 horas na Sala José Antonio Theodoro, na Secretaria Municipal de Cultura. No programa, o inventor de Clara Crocodilo vai explicar as técnicas seriais de composição e focalizar duas músicas de seu repertório Canção dos Vagalumes e Canção do Astronauta Perdido.
Vamos falar de dodecafonismo e analisar como essas peças foram criadas usando os conceitos de alumbramento e estranhamento. Quero também ouvir o que os alunos têm para dizer e mostrar. Será uma aula expositiva com espaço para intervenções avisa ele.
Há três semestres, ele dá aulas de composição na Universidade Livre de Música (ULM), em São Paulo. Tem gostado do ambiente. Você encontra alunos para-quedistas, mas também encontra muita gente interessante e informada. Há pouco, convidei um deles (Vitor Kizil) para escrever um arranjo em parceria conta.
Cada vez mais envolvido com música de concerto, Arrigo escreve atualmente a ópera O Homem dos Crocodilos, com libreto do argentino Alberto Munhoz. O argumento foi baseado no caso clínico O Homem dos Lobos, de Freud. A obra tem data de estréia prevista para o dia 15 de novembro no Centro Cultural Banco do Brasil, com participação das cantoras Cida Moreira, Celine Imbert e Anamélia.
A minha música sempre teve essa direção erudita explica o compositor. Desde 93, me distancio cada vez mais da música popular, que deixou de ter qualquer vínculo com a arte. A indústria cultural transformou tudo em consumo. A oficina tem vagas limitadas, mas ainda é possível participar. Mais informações pelo telefone (43) 324-7233, na Secretaria do Festival de Música. (N.S.)


