COMPORTAMENTO Quando o namoro acontece na escola
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segunda-feira, 05 de abril de 2010
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Parte integrante do amadurecimento emocional e afetivo, os namoros entre adolescentes normalmente começam na escola, e a atenção, antes voltada prioritariamente aos estudos, fica dividida. Os pais tendem a ficar preocupados com o rendimento escolar dos filhos e o envolvimento afetivo, muitas vezes intenso e precoce. Já as escolas procuram definir regras de comportamento para que o inevitável namoro não prejudique a rotina escolar.
No Colégio Adventista de Londrina disciplina e rigidez marcam a filosofia educacional da instituição, fundada há 68 anos, e até um código de ética é assinado pelos pais no ato da matrícula para reforçar a consciêcia dos termos de conduta estipulados pela escola. Entre eles está a proibição de qualquer tipo de contato físico entre namorados no interior e arredores da instituição. ''Aceitamos o namoro como um relacionamento em si, mas não é permitido nenhum contato físico aqui na escola. Somos responsáveis pelos alunos e agimos assim para evitar problemas. E dessa forma tem dado certo'', destaca o diretor Thompson dos Reis.
Ele ainda comenta que essa conduta é mais tranquila com os alunos do ensino médio do que com os de séries menores: ''A partir da quinta série, talvez pela 'ebulição dos hormônios', já notamos a formação de alguns namoradinhos e a curiosidade pelo primeiro beijo. E normalmente chamamos os alunos e os pais para uma conversa mais conscientizadora'', observa.
Prestes a completar um ano e meio de namoro, o casal Jimmy Hendrix Ferreira e Daniele Oliveira Ribeiro, ambos de 16 anos, confessa que já se acostumou com esse namoro ''meio a distância''. ''No começo era um pouco estranho, mas já nos acostumamos tanto que até quando estamos fora da escola agimos de forma mais discreta'', diz. Sobre a rigidez da filosofia da escola, ele é enfático: ''Acho bom ter ordem e disciplina. Acredito que isso também ajuda nos estudos''. Daniele complementa que para ela ''tem hora para tudo'' e, na sua visão, o namoro vai além da necessidade de ter algum contato físico com o namorado na escola.
Com um ano de namoro, Aline Tiemi Amazonas Cruz, 17 anos, e Hugo Salvador Guidugli, 15 anos, afirmam que sentem falta de poder andar de mãos dadas ou ficarem abraçados na praça em frente ao colégio. ''Mas, apesar de não gostarmos dessas regras, concordamos porque talvez isso nos proteja de certa forma'', explica Hugo. Sobre o desempenho escolar, Aline lembra que o dela até melhorou: ''Foi por causa da minha mãe que me advertiu dizendo que se eu fosse mal na escola teria que terminar o namoro''.
Os melhores amigos Jhonatan Gonçalves, 16 anos, e Letícia Mariane de Oliveira, 14 anos, namoram há nove meses e também reclamam de não poder expressar mais afeto entre eles enquanto estão no espaço escolar. ''Não digo beijar, mas, pelo menos poder andar de mãos dadas. A direção da escola diz que isso poderia influenciar as crianças, porém o nosso horário de intervalo é separado delas'', alega Jhonatan. No caso de Letícia, ela até pensou em mudar para uma escola mais liberal, mas desistiu por considerar boa a qualidade do ensino que está recebendo.
No Colégio Estadual Vicente Rijo, um dos maiores da cidade e comemorando 65 anos de funcionamente, os namoros são comuns entre seus 3.500 alunos, considerando os três turnos de aulas. Na avaliação da diretora auxiliar Cleise Mary Horn, não há como impedir o namoro no ambiente escolar, e as regras de conduta do colégio, embora não sejam rígidas, apelam para o bom senso. ''Não impedimos gestos que estejam dentro dos padrões normais de comportamento. No intervalo, os casais podem andar de mãos dadas até dar um beijo tranquilo, rápido, desde que não haja excesso de atitudes que possam incomodar os outros alunos'', argumenta.
De modo geral, ela afirma que os casais de namorados se comportam bem, porém, às vezes, há problemas com relação à perda de aulas. ''Nesta semana mesmo tivemos dois alunos que estão 'matando' aulas para namorar; o casal e os pais já foram convocados para uma conversa'', pontua. No caso dos alunos menores, que estudam no período da tarde, a fiscalização é maior - os pais são chamados quando se percebe a formação de casais de namorados, acrescenta o diretor geral Donizetti Brandino.
Felipe Barbosa Franco, 14 anos, e Lara Afonso Dias, 15 anos, namoram há três anos e dois meses e são exemplo de comportamento no colégio. Estudiosos, estão sempre de mãos dadas junto com os amigos durante o intervalo. ''Não vejo necessidade de fazermos mais que isso na escola, mas tem gente que extrapola'', entregam. Questionados quanto ao longo tempo de namoro, Lara não vê prejuízos e acredita que é ''uma experiência que se adquire mais cedo''. Já Felipe acha ruim ter de esperar tanto tempo até terminar os estudos para poder casar.
Há dois anos namorando, Victor Hugo Yoshitani, 16 anos, e Carla Aguiar dos Santos, 17 anos, se conheceram no colégio. Para eles, o namoro beneficia os estudos, principalmente quando há trabalhos em grupos, e estudar na mesma sala ajuda até para fazer as pazes mais rápido quando discutem. Discretos, não são a favor do exagero na hora de namorar. ''Acho que cada um tem que ter discernimento e saber se comportar de forma adequada em cada ambiente que está'', ressaltam.


