COMPORTAMENTO - 'Romaria' para ver Padre Marcelo
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sexta-feira, 24 de outubro de 2003
Jackeline Seglin<br> Reportagem Local 
As filas dobram corredores dos shoppings, com pessoas em busca de um ingresso de cinema, nem que seja para a próxima sessão. Em plena quarta-feira, duas horas da tarde, dezenas de pessoas tentam conseguir um lugar na sessão das cinco num cinema da cidade. Em outro, centenas também aguardam em filas enormes. Este é o cenário da semana em dia de pagar meio ingresso em dois shoppings de Londrina, nas salas que estão exibindo o longa-metragem ''Maria, Mãe do Filho de Deus''.
Dirigido por Moacyr Góes, o filme é um projeto de evangelização do Padre Marcelo Rossi. Um caminho que vem atraindo muita gente. Lançado no início do mês, ''Maria, Mãe do Filho de Deus'' tem expectativa de atingir 2,5 milhões de espectadores, meta de Marcelo Rossi.
Uma curiosidade é que este filme tem atraído aos cinemas um público não muito comum nas sessões. Idosos. Principalmente mulheres. Em alguns dias, eles já são maioria dentro das salas. Outro detalhe é que a história contada pelo Padre Marcelo tem atraído gente que há muito, muito tempo não ia ao cinema. Fiéis que encontraram um bom motivo para se divertir e engrossar essa corrente poderosa. Juntando-se aos demais espectadores... a produção tem público garantido.
''A gente estava na fila para comprar ingresso da sessão das 15 horas, mas esgotou'', diz Maria das Graças Elias, acompanhada da mãe, Carmen Bueno. ''Então viemos para essa outra fila, aguardar o início da sessão das 17 horas''. Elas são fãs incondicionais do Padre Marcelo Rossi e este foi um bom motivo para voltar ao cinema depois de muito tempo.
Maria das Graças fez isso pela última vez há seis anos, para ver Jean Claude Van Damme. ''Mas era outra época. Depois que entramos no caminho certo as coisas vão mudando'', comenta. ''A gente já é carismática há um bom tempo e ouve o Padre Marcelo todo dia na rádio. Viemos ver o filme para aprender mais''.
Fábio Marcondes, gerente do Arco-Íris Cinema Royal Plaza, diz que durante a semana 70% do público são pessoas idosas, ''o que não é comum em outros filmes''. Em cartaz em uma sala com 186 lugares, em três sessões diárias, o filme também vem atraindo muitos fiéis. A dona-de-casa Ercília Rodrigues Teixeira é mais uma delas. Há 37 anos não vai a um cinema e nem lembra qual foi o último filme a que assistiu. Resolveu ''se aventurar'' só por causa do Padre Marcelo. ''O filme mostra um pouco do que ele fala no seu programa de rádio'', frisa dona Ercília, que ainda iria aguardar duas horas na fila até a próxima sessão, acompanhada das netas.
O casal Terezinha e Luiz Ferreira de Melo também resolveu conferir a novidade no cinema. Programa não muito usual para os dois. ''Ainda vai demorar para passar na televisão...'', diz a dona-de-casa, conformada. Para o casal, o interesse em assistir a essa produção deve-se ao fato de poder transmitir a mensagem a outros.
Nos Cines Catuaí, o filme está sendo exibido em várias sessões na sala 1, que tem capacidade para 327 pessoas. Na quarta-feira, 74 pessoas fizeram juntas o mesmo programa. Era o grupo da terceira idade Amar é Viver, de Cambé. ''A gente costuma vir sempre, mas esse filme foi mais procurado'', conta uma das integrantes, Leonilda Mazei Viudes, ao final de uma sessão. ''E valeu à pena. Todos choraram. Fazemos parte da Pastoral da Terceira Idade e o que foi mostrado nos comoveu''.
Dessa trupe faz parte uma animada integrante de 96 anos: Maria Manchon Calsavara. Ela já estava com saudades dos tempos que ia ao cinema e relembra o último filme a que assistiu: ''era um do Mazzaropi, há muitos anos, lá em Cambé'', conta. ''Agora é tudo tão diferente, mais bonito. Toda vez que tiver uma oportunidade vou aproveitar. É só as meninas me levarem''. Sobre o filme, dona Maria é direta: ''No final achei triste demais. Chorei''.
Segundo a gerente dos Cines Catuaí, Ruth Moraes, 80% dos espectadores de ''Maria...'' são pessoas da terceira idade, das quais muitas não pisam num cinema há anos. ''Teve até gente pedindo um ingresso de homem e outro de mulher, como antigamente''.
Antes de começar a sessão no Catuaí, a gerente convida o público a rezar, em pé e de mãos dadas, acompanhando a voz em off do Padre Marcelo Rossi. Começa a sessão. A platéia, lotada. Uma senhora chega no escuro para sentar na primeira fila a única com lugares disponíveis. Ela vem cantarolando, acompanhando a música da primeira cena: ''mãezinha do céu, eu não sei rezar...''. Ela se ajeita na poltrona e tira os óculos da bolsa. ''Ó ele aí'', diz para a companheira, ao ver Padre Marcelo em cena.
''Maria...'' parte de uma história que se passa no sertão brasileiro dos dias atuais para contar a versão original bíblica. Maria Auxiliadora (Giovana Antonelli) deixa a filha Joana (Ana Beatriz Cisneiros), de sete anos, aos cuidados do pároco (Padre Marcelo), enquanto vai ao médico buscar exames que podem diagnosticar uma grave doença na criança.
Para distrair a garota, o padre conta a história da mãe de Jesus (Luigi Barricelli), incluindo passagens como o nascimento e a ressurreição de Cristo. A menina passa a imaginar os personagens bíblicos como se fossem pessoas conhecidas dela.
A trajetória, narrada em quase duas horas, foi acompanhada atentamente pela espectadora da primeira fila. ''Foi divino'', comenta Maria Luzia Brustz Gevezier. ''Adorei, adorei''. Ao lado, Orides Brustz, diz que vai assistir de novo e trazer o marido. ''Há muitos anos não venho ao cinema e gostei muito. Quero voltar''.
Ao final de mais uma sessão, o fluxo na saída da sala atravessa outra fila que se forma à frente do cinema. A corrente continua.
SERVIÇO:
O filme ''Maria, Mãe do Filho de Deus'' está em cartaz em Curitiba, Londrina e Maringá. Conferir salas e horários na programação da página 2.


