O Governador Roberto Requião foi ao Valentino, mas pouco viu da boêmia flutuante do local. O chefe do Palácio do Iguaçu passou pelo famoso bar londrinense na última quarta-feira para participar do lançamento do livro ''Pelos Bares do Paraná'', que idealizou e encomendou ao jornalista curitibano Norberto Staviski.
Acompanhado de assessores e seguranças, ele chegou por volta de 20h30 permanecendo durante 1 hora e meia, tempo em que bebericou cerveja e conversou animadamente com a diretora da Fundação Teatro Guaíra Nitis Jacon e com o prefeito Nedson Micheletti. A noite nada tinha de trivial. Afinal, pratos com quitutes nunca apareceram generosamente distribuídos ao longo do balcão durante as festas semanais promovidas pela casa.
Além das autoridades, algumas mesas reuniram clientes antigos do bar, cujo imóvel será demolido em dezembro para dar lugar a um estacionamento de um centro comercial. Enquanto pratos de macarronada atravessavam sua mesa, Requião contou ao repórter da Folha Dois que a idéia do livro foi inspirada num similar carioca sobre bares tradicionais do Rio de Janeiro, publicado na década de 80.
Confessando ser um velho frequentador de bares, sublinhou: ''Os botequins ocuparam um espaço interessante na minha vida, numa época que eu tinha tempo e que hoje não tenho. Estou com 64 anos e lembro que os botequins da minha juventude tinham som baixo e violão sem amplificador. As coisas mudaram um pouco. A gente cantava e conversava sem o barulho ensurdecedor e emburrecedor das músicas de metal pesado'' observou.
Em seguida, citou uma declaração recente do vice-presidente da República José Alencar para quem ''um botequim é um bom lugar para pensar na transformação do Brasil''. Empolgado, o governador emendou: ''Bares como o Valentino são âncoras da madrugada para as pessoas solitárias e tristes e para os posseiros das ruas e abandonados. São ao mesmo tempo lugares para bater papo com os amigos e para frequentar seja pela qualidade da música ou pela boa bebida. Por isso, decidimos homenageá-los no livro''.
A passagem pelo Valentino encerrou uma extensa agenda de compromissos em Londrina. O horário programado, porém, abrandou o impacto da visita. Como de praxe, a turba de frequentadores só chegou depois das 23 horas. Requião foi ao Valentino, mas não sentiu o pulso do bar.

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