COMPORTAMENTO - Para atrair a sorte na intimidade
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quarta-feira, 31 de dezembro de 2003
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Vem da década de 70 a idéia de usar branco na passagem de ano. Os precursores foram os cariocas que invadiram a praia de Ipanema nas noites de Réveillon com roupas brancas para saudar o novo ano em homenagem ao líder dos Orixás, Oxalá, que vinha à Terra trazer paz aos homens, segundo a tradição do Candomblé. O ritual pegou e tornou-se característico do povo brasileiro e é difícil encontrar alguém que não use nesta data pelo menos uma peça da cor que virou ícone de paz. Outras culturas não vêem com bons olhos o uso do branco nesta data. Em Portugal, por exemplo, ''branco em janeiro, sinal de pouco dinheiro'', diz um ditado. Mas, como estamos no Brasil, o hábito persiste e um dos costumes mais fortes é passar a virada de ano de lingerie nova com cores associadas aos desejos de cada um, levando em conta conceitos da cromoterapia
Branco (paz), rosa (amor), amarelo (dinheiro), azul (serenidade) são algumas das opções que o mercado oferece. A indústria também a cada ano lança novidades no mercado. Para esta virada, a Swarovski em parceria com a Plié está lançando a linha calcinhas coloridas com cristal trinket, um coração de cristal em cordão de seda encerado que pode ser usado como colar, pulseira ou tornozeleira. A parceira também foi feita com linha Jogê, em edição limitada, que lança o sutiã Hyper Up com libélulas (simbolizando a transformação e beleza) de cristal aplicadas no bojo e dois broches de libélula removíveis.
O mimo tem preço salgado: R$ 584 reais.
Para a comerciante Maria de Fátima Freitas Fontanari, 49 anos, todo o esforço vale a pena para passar o ano novo com lingerie nova, aliás, durante o ano todo ela gosta de investir em novas peças, incluindo pijamas e camisolas. ''Acho um absurdo essa história de dormir de camiseta velha. Mulher tem que ser feminina, perfumada...'', comentou a cearense, que está casada há 23 anos.
Ela se diz não muito superticiosa com cores, mas não deixa de usar pelo menos uma peça de roupa branca na virada de ano. ''Para este ano, comprei um espartilho branco, todo rendado. O resto da família também vai ganhar roupas íntimas novas, até os genros vão entrar na dança'', afirmou
''O branco tem um sentido de paz, mas acho que no fundo o que conta mesmo é o estado de espírito. Acho legal também investir na faxina da casa, jogar papéis velhos, arejar o ambiente. Esse hábito vem desde a minha infância e gosto de cultivá-lo'', disse.
A auxiliar de cartório Ana Paula Tristão, 39 anos, acredita que a roupa de baixo é ainda mais importante e, segundo ela, não pode deixar de ser nova. ''Não sei muito bem o porquê, mas sempre sigo esse hábito.'' Sua cor predileta é o amarelo e é a que mais usa nas passagens de ano. ''Acho que é influência do pôr-do-sol, que gosto muito...'', brincou.
''Mas o mais importante é o nosso interior, o nosso otimismo e esperança diante da vida. Não adianta usar uma roupa com cores adequadas e não ter confiança em Deus. Para mim, tenho certeza que 2004 vai ser um ano excelente. Sempre há obstáculos, mas é a nossa fé e disposição que determinam a superação dos problemas.''
A gerente comercial da Seda Cáustica, Ana Paula Granado Magalhães, informa que a cor branca ainda é a mais procurada pelos clientes, sendo que as vendas se intensificam a partir do dia 26. ''É a hora que já passou a fase de comprar presentes para os outros e sobra mais tempo para as pessoas cuidarem de si mesma.''
A vontade de realizar ''todos os desejos'', faz com que algumas clientes optem até por vestir uma calcinha por cima da outra, com as variadas cores, contou a gerente. No ano passado, Ana Paula, que também faz aniversário no dia 31 de dezembro, usou uma calcinha amarela para ter ''prosperidade financeira''. ''Não deu muito certo, não... Desta vez, vou optar pelo 'velho' branco. Paz é o que todos nós precisamos'', ressaltou.


