COMPORTAMENTO - Londrina tem ong do rock
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sexta-feira, 07 de janeiro de 2005
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
O rock já foi associado a rebeldia inconsequente, vandalismo e até ao demônio. Na contramão dessa imagem, que continua atual para muitos pais aflitos, uma turma de simpatizantes do gênero acaba de criar uma ong (organização não-governamental) em Londrina.
A idéia da Associação Cultural do Rock em Londrina (ACRL) é aglutinar as diversas tribos com o objetivo de fortalecer o cenário rock local. ''A proposta é atuar em conjunto unindo punks, headbangers, psychobillies, universitários e outras facções sem a pretensão de monopolizar nada e nem representar ninguém. O objetivo é propagar a cultura rock não apenas realizando shows, mas participando das políticas de juventude da cidade'' explica Valter Coelho ''Ferrugem'', vice-presidente da ong.
A diretoria foi eleita há 1 mês numa assembléia que contou com cerca de 50 pessoas. A decisão de criar a entidade levou em conta uma série de fatores negativos, entre eles a escassez de espaços para shows, a dispersão do movimento em grupos fechados sem contato um com o outro e o velho preconceito que filia rock a revolta sem causa.
A divisão em guetos é um dos pontos mais frisados pela turma. ''Antes todo mundo frequentava um mesmo lugar. Os próprios festivais reuniam bandas de diferentes estilos. Hoje, a coisa está dissipada. Cada um tem seu bar, seu ponto de encontro. Queremos unificar todos os grupos, mas sem abrir espaço para aqueles que pregam a violência e defendem idéias nacionalistas e fascistas '' ressalta Valter, referindo-se à facção dos carecas (skinheads).
A sede da União Londrinense dos Estudantes Secundaristas (ULES), localizada na Av. Duque de Caxias, região central, é lembrada por ele como um dos locais mais acolhedores da década passada. ''Perdemos um grande espaço com a interdição do prédio pelo Corpo de Bombeiros. Ali rolavam muitos shows'' conta. A boa notícia, segundo ele, é que há previsões do prédio ser reformado neste começo de ano a partir da destinação de verbas já aprovadas pela Câmara de Vereadores.
Reivindicando palcos para as bandas, o grupo está de olho em outros espaços públicos municipais, já que o alugel cobrado por casas noturnas particulares tem inviabilizado qualquer iniciativa. ''O Anfiteatro do Zerão também precisa ser ocupado, inclusive para amenizar a marginalidade que tomou conta do local'' argumenta. Apesar dessa preocupação, Valter salienta que as atividades da ong não se limitarão à organização de shows.
A proposta, segundo ele, é atuar com trabalho solidário integrando-se à rede de entidades ligadas a causas sociais e aos interesses da juventude. ''Todos os nossos eventos contarão com arrecadação de alimentos ou agasalhos'' sublinha. Outro ativista do movimento, Rafael Henrique Vizu, acaba de criar um site (www.londrinarock.com.br), que já está servindo como um dos canais de divulgação da associação. ''Ele vai ter o papel de oráculo para as bandas londrinenses'' diz o rapaz, que toca na banda No Noise Reduction.
O site inclui seção de classificados grátis para compra-venda e troca de instrumentos musicais, além de serviço para formação de banda (se um grupo precisa de um guitarrista, por exemplo, pode colocar um anúncio ali). Além da cobertura da cena local, o site adiciona informações sobre bandas em geral incluindo biografias e discografias. Rafael avisa que brevemente promoverá uma enquete entre os internautas para a escolha da logomarca da ong.
A turma está empolgada. Entre seus planos futuros está a organização de festivais, criação de um jornal informativo, a instalação da entidade numa sede e realização de oficinas para o ensino e prática de instrumentos musicais. Eles contam que a idéia das oficinas foi inspirada nas experiências bem-sucedidas levadas a cabo pela comunidade hip hop, que vem promovendo cursos para DJs, grafiteiros e b.boys com amparo da Secretaria Municipal de Cultura.
Mas, por enquanto, tudo está sendo colocado no papel para ser executado a longo prazo. Até lá, os participantes pretendem atrair mais adeptos à ong. Para divulgar a entidade, eles anunciam um show com bandas locais, ainda a serem definidas. A data está provisoriamente marcada para o dia 6 de fevereiro.
Serviço:
- ONG Associação Cultural do Rock em Londrina (ACRL). Contatos: (43) 9102-6291.


