COMPORTAMENTO - Leitura sem fim
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de setembro de 2004
Jacira Werle<br> Reportagem Local 
Traças e ratos de biblioteca são dois dos substantivos, por sinal um tanto pejorativos, pelos quais são denominados os aficcionados por livros. Leitores compulsivos fazem das letras uma forma de relaxar, ocupar o tempo, aprender fatos novos, aprimorar conhecimento, informarem-se sobre culturas diferentes, dividir experiências com os personagens, entrar em um mundo de imaginação ou dar asas à criatividade.
O poeta americano James Lowell sintetiza muito bem uma das funções da literatura ao dizer que: ''os livros são como as abelhas que levam pólen de uma inteligência à outra.'' Além de todos os motivos já citados, uma pessoa não precisa realmente de razão nenhuma para ''devorar os livros'', ainda mais quando o hábito da leitura está tão arraigado quanto tomar banho ou escovar os dentes.
Para cultivar a rotina de leitura ter muitos volumes à disposição é um fator imprescindível. A professora Luci Paula Jacob, 46 anos, é sócia da Biblioteca Pública de Londrina há 22 anos. As estantes dessa instituição são recheadas com mais de 70 mil livros, entre eles estão volumes de literatura e técnicos além de revistas e jornais.
Um número incalculável de páginas lidas por dia, pelo menos duas horas dedicadas à literatura, mesmo depois de uma rotina que inclui trabalho em três períodos por dia. Assim é a rotina de Luci que comemora o final de semana, feriado e dias de chuva para apreciar uma obra literária. Ela revela que sempre tem um livro à mão para quando está no ônibus ou sobra uma folga em outro tipo de ocasião.
Como você se sente quando não tem nada para ler?
Sempre tenho dois ou três livros à disposição. Mas uma vez aconteceu de eu não ter nenhuma obra para ler, tive que ir até uma livraria e comprar alguns livros.
Como um enredo que se repete em vários livros diferentes o gosto pela leitura é adquirido pela pessoa desde pequena. Foi assim com Luci e também com Alex Soares de Almeida, 69 anos. Nos dois casos, observar o exemplo dos pais lendo fez com que os filhos passassem a se aventur pelo mundo das letras.
Títulos, títulos, autores e muitos livros. Entre tantas obras fica difícil saber se o volume já é conhecido ou não. Almeida conta que quando está em dúvida se já leu a obra recorre à contracapa ou à orelha do livro para tentar desvendar um pouco da história e investigar a própria memória.
Professor de Literatura e Língua Portuguesa, Almeida acredita que ''o gosto pela leitura é genético. Meu pai, minha mãe e agora minhas três filhas também gostam de livros.'' Também frequentador da Biblioteca Pública de Londrina, ele é responsável por selecionar os títulos para a esposa. '' Eu leio, ela lê, depois nós trocamos e eu volto à Biblioteca,'' declara. Almeida calcula que conclui a leitura de duas obras por semana, 100 títulos em média por ano. Menciona que mantém a leitura mesmo quando está em frente à televisão. '' Quando o narrador fala alguma coisa interessante eu desvio o olhar para a televisão, caso contrário fico lendo,'' explica.
Questionado se fica frustrado quando alguém fala de um título que ele ainda não leu, Almeida reforça sentir outro tipo de inveja. ''Tenho inveja de João Ubaldo Ribeiro, queria ter escrito o livro 'Sargento Getúlio,'' confessa.
Certamente, ele não é o único leitor a ter este tipo de desejo. Quem adora livros sempre imagina que bom seria ter sido o autor de um deles.


