COMPORTAMENTO - Informação sobre duas rodas
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de abril de 2006
Liliana Onozato<br> Reportagem Local 
Um jovem e sua bicicleta num cenário que muda conforme as pedaladas. Entre os panos de fundo, países da América do Sul, Oceania, Ásia, Oriente Médio, Europa e África. Não se trata de um roteiro para teatro ou cinema, mas o trajeto que o ciclista Arthur Simões Cardoso Neto, concluirá daqui a dois anos e meio com o projeto ''Pedal na Estrada''.
Se para muitos representa loucura demais a uma só pessoa, para ele essa odisséia ultrapassa qualquer gota de cansaço. Arthur chegou na última quarta-feira em Londrina onde permaneceria por mais dois dias, no máximo. Afinal, o tempo é curto para quem deve percorrer cerca de 30 países sobre duas rodas.
Iniciado em 3 de abril desse ano, o projeto idealizado pelo ciclista está munido de objetivos que deixam o quesito aventura fora do rol principal. ''Quero destacar o lado social e propor algo novo ao ensino brasileiro. Os sistemas de comunicação estão mudando e acredito que a educação não está se adaptando a essas mudanças. O Brasil se preocupa em fazer números para a Unesco, já que o ensino público deixou de reprovar alunos'', argumentou o jovem.
Segundo ele, o ensino deve ser natural e não imposto, por isso seu projeto de certa forma itinerante visa a disseminação do conhecimento por meio de suas experiências captadas durante as viagens. ''Proponho uma nova forma de aprender. Através do meu site os alunos terão uma abertura para conhecer um pouquinho de cada lugar, suas curiosidades e as principais atividades desenvolvidas. Já que internet está mais acessível a todos, também quero mostrar que não serve só para Orkut ou Messenger, mas para o aprendizado''
Arthur enfatiza que seu projeto não visa substituir a figura do professor, e destaca a importância do profissional para catalisar as informações. ''Existe a interatividade do site que apresenta diário de bordo, fórum, galeria de fotos, e-mail para quem quiser entrar em contato comigo. Eu mostro como é a vida na estrada também'', acrescentou. Outro ponto alto do projeto, de acordo com o ciclista, está nos encontros que acontecem quando é convidado a ministrar palestras em escolas ou outras instituições. ''Busco fazer um trabalho de conscientização abordando algumas doenças e prevenções. Falo do projeto e da importância de acreditar nos sonhos. Lá fora, abordarei aspectos da cultura brasileira'', ponderou.
Entre um continente e outro, suas observações vão se pautar na quebra de paradigmas: ''Será que o Egito é só pirâmide? Será que na Índia é só yoga? São estereótipos que nos empregam desde cedo e é isso que eu vou relatar no site. Serei os olhos e os ouvidos dos estudantes''.
Em 2004, Arthur concluiu o curso de Direito na Universidade Mackenzie, em São Paulo. Durante a faculdade foi se desiludindo com a área, embora tenha atuado em algumas frentes da profissão: ''É muita cobiça. É um meio muito hostil para mim e não me adaptei a isso''. Uma das soluções foi organizar um grupo voluntário de assistência jurídica à população carente. ''Apresentei essa idéia, a faculdade topou e bancou o transporte. Fluiu legal. Foi uma época em que eu me senti bastante gratificado'', destacou.
Resta saber onde a bicicleta se encaixa nessa história toda. Pedalar sempre foi um hobby para Arthur, natural de São José dos Campos, interior de São Paulo. Mais que isso, a bicicleta se transformou em ''terapia'' até e meio de transporte, logo que se mudou para a capital paulista. ''Em Jacareí, cidade onde passei a infância, as pessoas andam muito de bicicleta. O que eu senti em São Paulo é que elas têm medo de sair de bicicleta nas ruas. Às vezes eu ia para o trabalho pedalando'', disse. Para enfrentar os milhares de quilômetros de estrada, Arthur, também professor e praticante de yoga, já vem treinando há um bom tempo no percurso sobre duas rodas pelo litoral paulista, diversas estradas que ligam São Paulo à Jacareí, além dos treinos com o antigo pelotão de ciclistas da USP.
Além de transportá-lo, seu veículo armazena bolsas com um peso aproximado de 30 quilos, entre eles barraca, sleeping bag, fogareiro, garrafa de combustível, cobertor térmico, entre outros equipamentos. Entre as impressões já registradas por Arthur, uma chama a atenção: ''Quando você está de bike, você é sempre bem-visto. Até agora não precisei pagar hotel, pois as pessoas que eu conheci nas cidades acabam deixando eu ficar em suas casas. É uma postura muito acolhedora''. E assim pedala sua história. Um jovem, uma bicicleta e um longo caminho a ser percorrido.
Serviço:
- O projeto ''Pedal na Estrada'' recebe o patrocínio de Bristol-Myers Squibb. Para acompanhar as pedaladas de Arthur e entrar em contato com o ciclista, acesse www.pedalnaestrada.com.br


