Meia-noite e um. O horário inusitado da sessão de cinema já indicava algo especial. E era mesmo. Tudo por conta da estréia mundial do filme ''Star Wars: Episódio 3 A Vingança dos Sith'', marcada para o dia 19 de maio. E como fã sempre tem pressa, nada mais natural que fosse marcada a sessão para o primeiríssimo minuto de ontem. Programada inicialmente para apenas uma das salas do Multiplex Catuaí, a estréia da madrugada fez tanto sucesso que precisou de mais espaço. ''Vendemos os ingressos da primeira sala em um dia'', conta a gerente Ruth Moraes.
Para lotar as duas salas, 721 ingressos foram vendidos. Na sala 6, os fãs de carteirinha, capa e sabre de luz, que foram mais rápidos ao garantir seus passes para um lugar em frente à telona. Na vizinha sala 7, fãs bem mais comedidos e sem fantasias, nem por isso menos ansiosos com o final da saga que vem encantando multidões desde 1977.
Naquela época, o universitário Paulo Vítor Zacarias, 20 anos, era sequer um projeto de vida. Mesmo assim, assimilou ao longo da infância e adolescência o gosto pela série. Como acreditava que os ingressos para a estréia só seriam vendidos no dia, matou aula no curso de Ciências da Computação para entrar na fila. Eram 10h30 de ontem quando ele chegou ao Catuaí Shopping, cerca de 14 horas antes da sessão ir ao ar. Como as bilheterias estavam fechadas, ele resolveu esperar. Acabou almoçando e jantando por lá.
''Quando assisti ao Episódio 4, ainda era muito pequeno. Fiquei um bom tempo sem entender'', explica Zacarias. O que fascina o universitário é o mundo e toda a mitologia criados por George Lucas. Personagem? ''Ah, é o Darth Vader. Todos os seis filmes tratam da história da vida dele'', conta. ''Já tenho os DVDs dos dois primeiros episódios e agora vou ganhar os outros três'', diz o estudante.
Sem precisar perder aula ou mesmo faltar ao trabalho, o projecionista André Oliveira pode se dar ao luxo de trabalhar num cinema. ''Desde que entrei aqui, há cerca de seis anos, esperava continuar até 2005 para poder estar por perto na época deste lançamento'', explica Oliveira. ''Tenho 25 anos, então eu cresci vendo Star Wars'', completa.
Fã assumido da série, o projecionista liderou ontem uma trupe de amigos todos devidamente uniformizados com uma camiseta idealizada pelo próprio André. ''Algumas pessoas aprenderam a gostar dos filmes comigo'', conta. No último final de semana, ele promoveu uma maratona de três dias assistindo aos cinco episódios lançados. ''Dizem que eu tenho o dom de contagiar as pessoas'', brinca. O lote inicial de camisetas (que na frente traz Anakin Skywalker e atrás a figura de Darth Vader) era de 49, mas acabou dobrando em número para dar conta de tantos interessados.
''Estou com o telefone de um monte de pessoas que querem camisetas'', explica André Oliveira, que deve providenciar logo uma nova ''fornada'' de t-shirts. Quanto ao filme que encerra a saga e mostra finalmente a transformação do cavaleiro Jedi Anakin Skywalker no vilão Darth Vader, o projecionista conta que ''chorou feito criança''. ''Não sei quando comecei a chorar, mas a cena que me tocou muito foi quando o corpo do Anakin se incendeia após a luta com Obi-Wan'', explica. ''No final senti o mesmo que toda a platéia, a sensação do dever cumprido'', afirma.
''Mas eu sou um privilegiado'', lembra o projecionista, que por conta do trabalho pode assistir a quantas sessões quiser. ''Posso ver cinco, seis vezes por dia'', avisa, feliz da vida.

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