COMPORTAMENTO - Espelho, espelho meu...
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de novembro de 2003
María Lorente<br> France Presse 
O que tem em comum a modelo Naomi Campbell, a atriz Jennifer Lopez e a boneca Barbie? Cintura fina, seios firmes e traços simétricos. Estes são os dotes que despertam, segundo a maioria dos especialistas, um verdadeiro frenesi no sexo oposto. A atração feminina consiste na obtenção de uma medida proporcional que se obtém dividindo o tamanho da cintura pelo do quadril, segundo o pesquisador Devendra Singh, da Universidade do Texas. ''O coeficiente 0,8 é sinal de boa saúde (resultado, por exemplo, da divisão de 80 centímetros de cintura por 100 de quadris)'', explicou Singh. ''Mas o ideal é de 0,7 (para isso é preciso ter uma proporção de 70 centímetros de cintura para 90 de quadris)'', diz o especialista, ressaltando que uma medida inferior a este coeficiente pode indicar doenças como diabetes ou problemas cardíacos.
A boneca Barbie estaria entre as 'doentes', pois seu coeficiente
cintura/quadris é 0,54. Uma proporção ideal, além de indicar bom condicionamento físico, é sinal de alta fertilidade, estimou Savithri Ekanayake, em seu estudo ''A Mulher Perfeita'. ''Se observa que os homens preferem mulheres com o corpo tipo violão, um dos traços mais visíveis da capacidade da mulher para procriar'', sustentou. ''O corpo da boneca Barbie, associado aos atributos de beleza, fertilidade e juventude está intrinsicamente ligado a uma concepção universal de beleza'', continuou.
Segundo os cientistas Steve Gangestad e Randy Tronhill, a beleza depende de simetria. Charles Feng, da Universidade de Stanford, observou que até mesmo os bebês observam mais detidamente fotografias de indivíduos simétricos.
Além da simetria, ''os homens ocidentais geralmente preferem as mulheres que não tenham uma mandíbula demasiado pronunciada, um pequeno nariz arrebitado, grandes olhos e maçãs salientes, traços que se assemelham aos de um bebê'', analisou Feng.
As revistas Playboy e Hustler escolhem as mulheres de suas páginas com base
nestes critérios ou em pura ''intuição masculina'. Para escolher uma coelhinha da Playboy, ''nos baseamos na simetria, selecionamos uma mulher proporcional'', explicou Bill Farley, porta-voz da Palyboy. ''Nos interessa que a mulher tenha traços pequenos: que os olhos não sejam muito separados ou que o nariz seja muito grande'', destacou. ''O corpo pode ser muito diferente. Não importa que sejam altas ou baixinhas, nos fixamos na forma arredondada de seus seios ou na proporção de seu corpo'', continuou.
Para Feng, as ''coelhinhas'' se transformaram de acordo com a moda.
''Olhando a história da Playboy, que completa cinquenta anos em dezembro, temos tido todo tipo de mulheres, acompanhando a moda: mais curvilíneas nos anos 50, mais atléticas nos últimos anos. Mas o padrão é mais ou menos o mesmo'', afirmou Farley.
Cada vez mais obsessivos com a aparência física, os americanos não só dedicam esforço e dinheiro para cultivar o corpo, mas se submetem com frequência a cirurgias estéticas.
Desde 1997 este tipo de intervenção aumentou 220%. Segundo dados recentes, as operações mais habituais - lipoaspiração, implante nos seios e correção do nariz - foram substituídas por injeções de botox. O que antes só estava ao alcance das estrelas de Hollywood, hoje se tornou algo por que muitas mulheres podem pagar, destacou Alan Matarasso, um dos cirurgiões plásticos mais conhecidos dos Estados Unidos.
''Na sociedade, as pessoas atraentes tendem a se adaptar melhor, ser mais populares e consideradas mais inteligentes. Esse fenômeno é conhecido como efeito 'auréola' (em alusão à perfeição associada aos anjos)'', explicou Feng.
Talvez por isso os americanos gastem mais em beleza do que em educação.
Temporariamente deixamos de publicar, aos domingos, a coluna HQ, o jornalista Cláudio Yuge está em férias.


