Curitiba - Ano novo, vida nova. Tempo de renovar, de solidificar relacionamentos e encontrar novos amores. Mas talvez essa última tarefa não seja tão fácil assim. Encontrar uma pessoa interessante é um trabalho cada vez mais árduo nos tempos modernos, uma função digna de Hércules. Exagero? A prática mostra que não. Solteiros e descasados entrevistados pela Folha falam o quanto é difícil encontrar um parceiro. Na vida real ou na internet, as exigências são muitas, mas na prática o que se vê são pessoas que iniciam um verdadeiro périplo em busca do par perfeito. E quem acha, não quer largar.
A artista plástica Alessandra (nome fictício, já que a moça preferiu não se identificar), de 32 anos, conta que já entrou em verdadeiras roubadas na busca por um namorado, ou pelo menos por uma companhia agradável. Como ela acha que uma boa conversa é fundamental na hora de encontrar essa pessoa, tem apostado na internet para selecionar homens que caibam dentro dos seus sonhos. ''No primeiro momento eu sempre sondo as pesssoas pelos gostos. Acho que preferências em comum são fundamentais'', ensina. Mas o computador acaba funcionando como uma faca de dois gumes nesse momento. ''Muita gente usa o computador para esconder a sua verdadeira personalidade, mas a máscara acaba caindo'', diz a artista plástica.
Independente do meio em que se conhece a pessoa, em sites de bate-papo, por exemplo, ou em um shopping ou boate, a pessoa tem que seguir um manual básico de boas maneiras. Não verbal, claro. ''As pessoas são muito carentes. Não dá para ir falando de problemas logo na primeira vez, existem momentos e momentos para conversar'', analisa.
Para a estudante de arquitetura Vanessa Bello Ribeiro, de 30 anos, é mais fácil conhecer pessoas em programas de amigos. ''Dificilmente a gente encontra alguém sério na noite. A noite é pra ficar'', diz. Solteira há seis meses, ela está à procura de um novo amor. '''Procuro alguém com um bom papo e bom humor'', conta. Tanto que considera a cantada mais bacana que levou na noite, uma em que o rapaz chegou para ela e saiu com a pérola: ''nunca te vi, sempre te amei''. ''Achei engraçado. Nessa hora, aliás, o bom humor é fundamental''.
Foi o bom humor e afinidade que uniram a designer Patrícia de Albuquerque, 27 anos e o administrador Luiz Arnaldo Ferraz, de 23. Eles se conheceram num churrasco de amigos e assim que começaram a conversar notaram muita coisa em comum, da descendência portuguesa à profissão dos pais. No último dia 2 de janeiro, os dois completaram cinco anos de namoro. ''Se existe alma gêmea sei que ele é a minha. E logo no começo a gente já notou isso pelas coincidências'', conta Patrícia.
A mesma sorte teve o empresário Euler de Freitas que contrariando a regra conheceu a atual noiva no dia 20 de fevereiro do ano passado, em um de seus bares. ''Acho que não existe regra para você encontrar o amor. Pode dar certo ou pode dar errado em qualquer lugar'', salienta. Como o empresário é dono de bares em Curitiba e no Litoral, tem experiência na noite e ensina: ''acho que não é legal se oferecer demais. Homem não gosta e mulher também. Acho que ninguém gosta de muita facilidade''.

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