COMPORTAMENTO - Como 'sobreviver' à juventude
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sábado, 09 de setembro de 2006
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
A psicóloga e advogada Déborah Lídia Lobo Muniz, professora de Psicologia Jurídica da Unifil, mestra em Direito pela Gama Filho, não nega que o espírito jovem deseja a liberdade. ''Porém, os jovens não conseguem enxergar porque buscam essa liberdade, já que existe uma oferta grande de prazer. Tem aí as novelas, por exemplo, mostrando esse prazer rápido. Eles não têm exemplos dos pais'', afirma Déborah Lídia, acrescentando mais uma parágrafo nesse manual de sobrevivência com dedicatória aos pais: ''Os pais devem fazer uma auto-avaliação sobre como está a vida deles, perguntando qual o tempo que dedicam à família. Que tipo de pessoas são e que exemplos dão aos filhos. O jovem precisa desse suporte'', afirma, destacando que os padrões morais mudaram muito nos últimos anos.
O sociólogo Cezar Bueno acrescenta que até o conceito de família mudou. ''Temos outras formas de relacionamentos. São mudanças que afetam esse processo. Porém, é preciso retomar princípios fundamentais urgentes, resgatando valores humanos na prática. Dentro de casa, a família precisa ressaltar a importância dos filhos assumirem responsabilidades, defendendo alguns princípios e idéias'', diz o professor.
Mudando um pouco a entonação da conversa, o relações públicas da Polícia Militar (PM), tentente Ricardo Eguedis, assinala o final de semana, começando por quinta-feira, como os dias marcados pelo aumento da violência, que atinge principalmente os jovens. ''Geralmente, constatamos a ingestão de álcool ou outras substâncias que nem conseguimos identificar nas vítimas'', afirma Eguedis, estedendo uma faixa de risco desses incidentes ao redor de locais com grande concentração de pessoas.
Eguedis orienta os jovens a tomarem alguns cuidados para evitar que um dia perfeito, que é a juventude, termine precocemente. Ele ressalta a importância dos jovens informarem os pais sobre os locais para onde vão: ''Cuidado com pessoas estranhas porque podem ter outras intenções. Também é preciso prestar atenção às bebidas oferecidas já que alguém pode colocar alguma substância para praticar algum tipo de abuso'', destaca o policial.
Lições que o estudante de Jornalismo e Ciências Sociais, Fábio Leone Luiz Luporini, 20 anos, aprendeu na casa com os pais, o representante comercial Carlos Henrique Luporini, 49 anos, e a mãe, a dona-de-casa, Tania Marly Luporini, 50 anos. ''Tudo o que os meus pais me orientam é importante. Hoje sei me cuidar sozinho'', afirma Fábio.
O pai do rapaz enumera alguns princípios dessa educação: ''Tentamos mostrar a ele e à irmã, o que é certo e errado. Sempre falei que se tivessem algum problema, que nos procurassem. Posso ficar bravo, mas amo meus filhos e dentro de casa eles têm aberta a condição para dialogarem. A gente sempre preferiu que os amigos deles frequentassem a nossa casa para formarem laços de amizade'', comenta o pai, com a aprovação da esposa, ressaltando a importância de uma vivência religiosa, como uma alternativa para que a gente não transforme um dia perfeito num réquiem da juventude.


