Quando Fábio Jr. aparecer no palco do Moringão, é provável que nenhuma outra fã da platéia grite mais alto do que a comerciante e depiladora londrinense Rosinéia Tedeski Crespilho. ''Acompanho a carreira dele há nove mil e oitocentos e cinquenta e cinco dias. São 27 anos de tietagem'' enumera ela, que tem 35 anos.
A admiração pelo artista começou quando ela ainda morava na cidade de Assis Chateubriand (PR) e vivia colada na televisão assistindo aos capítulos da novela ''Cabocla'' (Globo), na qual o ídolo fazia o papel de ''Luiz Jerônimo''. ''Nessa época comecei a colecionar tudo sobre ele, de revistas a discos. Continuo assim até hoje. Todo mundo tem uma fraqueza. A minha se chama Fábio Jr.'' diz.
Solteira, a moça lembra que já terminou vários relacionamentos amorosos por causa da adoração ao cantor e ator. ''Eu não casei para ficar correndo atrás do Fábio Jr.'' brinca. ''É uma situação delicada, porque os namorados chegam em casa e vêem a parede do meu quarto forrada com fotos e posteres do meu ídolo. Não é qualquer um que aceita essa história. Geralmente dá rolo, dá confusão''.
Rosinéia faz parte do fã-clube oficial de Fábio Jr., o que a credenciou a visitar o camarim do artista após o show de hoje à noite. Em 2003, fez o mesmo após uma apresentação do cantor na casa de espetáculos Olympia, em São Paulo. Na ocasião, uma emissora de rádio de Londrina patrocinou uma viagem de três ouvintes à capital paulista. Na promoção, os ganhadores seriam brindados com um encontro tête-à-tête com o galã.
A super-tiete não foi contemplada no sorteio, mas moveu montanhas para integrar a comitiva de fãs. De tanto argumentar, convenceu os donos da iniciativa a levá-la junto. Chegando lá, comemorou o encontro tirando fotos ao lado do ídolo. ''Ele ficou surpreso ao saber que eu sabia tudo sobre ele'' conta. Antes, Rosinéia havia assistido a dois shows do cantor em Londrina. Em 1989, perdeu uma máquina fotográfica enquanto se acotovelava em meio à platéia do Moringão.
''Ele estava no auge da carreira, o ginásio estava lotado. A máquina caiu da minha mão e não pude fotografá-lo. O pior é que ela era emprestada'' relembra. O outro show foi em 1992, durante a Exposição Agropecuária e Industrial. Dessa vez, ela tropeçou e foi ao chão tentando alcançar o palco. Voltou para casa com escoriações, não sem antes rodar a cidade procurando em vão o hotel em que o artista estava hospedado.
Depois, com o sumiço de Fábio Jr. da mídia, Rosinéia cogitou de incursionar pela área de produção de espetáculos com a intenção de trazê-lo novamente à cidade. Não levou a idéia adiante, conformando-se em acompanhar o noticiário sobre o ídolo. ''Uma vez, eu soube que ele estava doente com problemas sérios na garganta. Fiquei preocupada, chorei, fiz promessas para ele ficar bom. Só quem é fã, sabe como é esse negócio. O cérebro não raciocina. A gente se desconcentra de tudo por causa do ídolo'' salienta.
Planejando surpreender o cantor no hotel, antes do show de hoje à noite, ela adianta que já reservou uma cabine ao lado da mãe e da irmã para um cruzeiro marítimo previsto para dezembro cujo percurso inclui Santos, Búzios, Angra dos Reis, Florianópolis e retorno a Santos. Dá para adivinhar quem será o ilustre anfitrião do navio?

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