No Mato Grosso do Sul, empresário transforma fazenda em área de turismo ecológico oferecendo passeios, culinária e cultura típicas da região como principais atrativos
‘‘Olhando mata queimando
meu coração vai se levando
cantando a triste canção.
O tamanduá com o seu abraço forte
já não teve tanta sorte
ao cruzar o estradão.
Onça-pintada, sucuri, jaguatirica
corre, senão o couro estica.
Jacaré, bolsa na mão’’.
Os versos do músico Lívio Barreto, de Aquidauana (MS), revelam a preocupação com a degradação da fauna e da flora do Pantanal no Mato Grosso do Sul. O desmatamento e a mortandade de animais, práticas antes comuns na região que agora faz parte do Patrimônio Natural da Humanidade como Reserva da Biosfera Mundial, deram lugar a projetos ecológicos e conscientização dos pantaneiros e turistas.
Em Miranda, a 236 quilômetros de Campo Grande, o empresário Roberto Klabin transformou sua fazenda de 53 mil hectares no Refúgio Ecológico Caiman, um projeto pioneiro de ecoturismo no Pantanal sul mato-grossense que possui quatro pousadas. ‘‘Agora podemos organizar melhor o serviço turístico, continuar a criação de gado sem destruição do ambiente, controlar as queimadas e disciplinar a pesca’’, explica.
E as imagens que se podem ver nessa imensa área verde e alagada em alguns pontos impressionam quem chega pela primeira vez ao Pantanal. É difícil não se encantar com os jacarés, tuiuiús (a ave símbolo do local), capivaras, tamanduás, lobinhos, veados-mateiros, araras, tucanos, garças e muitos outros animais que o turista encontra pelos mais de 20 diferentes passeios pelo refúgio.
São caminhadas, cavalgadas, passeios de barco e de caminhão (zebrão). Todos organizados pelos ‘‘caimaners’’, guias bilíngues com formação universitária. Esses são os melhores momentos da viagem. Além de observar as belas paisagens e os mais diversos animais, pode-se conhecer também os aspectos culturais do Pantanal e um pouco sobre o modo de vida do pantaneiro. ‘‘Cada passeio é uma nova aventura’’, resume a caimaner Flávio Toquetti, que está no refúgio há quatro meses.
E que aventura. Principalmente a cavalo. A preocupação inicial de cavalgar por quase três horas por matas fechadas e áreas alagadas (ainda mais se o turista não tem afinidade com o animal) é logo esquecida quando surgem os primeiros banhados. Cavalgar a poucos metros dos jacarés é uma sensação inesquecível. O passeio é comandado por um experiente pantaneiro, seu João Riquelme, que garante a segurança dos turistas. ‘‘Ele sabe por onde passar, evitando a proximidade com jacarés ou cobras’’, explica Flávio, antes da cavalgada.
O Pantanal Sul, que está no período da vazante (os leitos do rio voltam ao curso normal), ainda reserva outras surpresas. De barco, pode-se observar animais na beira do Rio Aquidauana. São jacarés, capivaras, garças e bugios, todos acostumados com a presença de turistas. A experiência e habilidade do guia de campo e barqueiro José Luís de Souza garante ainda um sensacional passeio pelo corixo (pequenos cursos fluviais perenes) Garrafa.
Após um dia repleto de passeios e aventuras, o retorno à pousada também é comemorado pelos turistas. A culinária pantaneira faz qualquer um deixar de lado o regime. Paçoca de carne seca, caldo de piranha, churrasco de chão, caribéu (carne seca com mandioca), arroz carreteiro, macarrão tropeiro, carne seca na moranga e peixes assados são os principais pratos servidos nas pousadas, quase sempre acompanhados por boa música ao vivo.
A noite termina cedo, pois na manhã seguinte (o sino toca às 6h15) tem mais aventura pela frente. E é fundamental estar descansado. (O jornalista viajou à convite do Refúgio Ecológico Caiman e da Rio Sul Linhas Aéreas)

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