A Universal Music está lançando ‘‘The Best of Tropicália’’, disco dirigido principalmente ao mercado exterior
ReproduçãoCom ilustração do ex-Mutantes Arnaldo Baptista, CD traz canções emblemáticas
Antônio Mariano Júnior
De Londrina
Mais que um disco de compilação, é um produto que une o útil ao agradável. À tona e devidamente remasterizado, vem o CD ‘‘The Best of Tropicália’’ endereçado principalmente ao mercado exterior – de onde vem rumores de encantos mil por um dos mais intrigantes movimento musical brasileiro. Segue para fora como uma espécie de ‘‘Caminho Suave’’, aquela cartilha. Para o Brasil, o lançamento tem sua valia por jogar um balde de água fresca na memória nacional e que certamente vai respingar nos descobridores de última hora das benditas lições deixadas, principalmente, por Caetano Veloso e Gilberto Gil.
O disco, com textos em inglês e português (um breve histórico do movimento) e ilustrações, vejam só, de Arnaldo ‘‘Mutantes’’ Baptista, reúne algumas das canções mais emblemáticas da Tropicália, gravadas entre 67 e 69. Catorze, ao todo. Seis só de Caetano, três de Gil e outras três assinadas pelos dois. Gal Costa, a quem o tempo e as circunstâncias elegeram como a porta-estandarte do movimento – quando Caetano e Gil precisaram, nos anos de chumbo, engrossar a diáspora –, vem com sua voz ainda pouco – ou nada – cristalina cantando preciosidades como ‘‘Divino, Maravilhoso’’, ‘‘Baby’’, e a belíssima ‘‘Não Identificado’’
‘‘The Best of Tropicália’’ se concentra na figura dos três baianos. E isso acaba ofuscando, por exemplo, Tom Zé que comparece apenas como compositor em ‘‘Parque Industrial’’ (cantada por Gil, Caetano, Gal e os Mutantes). Belas sacadas foram incluir na coletânea preciosidades como ‘‘Lindonéia’’ (Caetano Veloso) uma canção aboleirada graciosamente interpretada por Nara Leão.
O destaque fica por conta de ‘‘É proibido Proibir’’, que ficou mais famosa pelo virulento discurso de Caetano (...‘‘que juventude é essa... tem som no microfone’’) quando desclassificada, em 68, num dos festivais da vida. Desta vez vem na íntegra, em versão estúdio. Não é lá grandes coisas. É mais mítica do que valorosa.
Pinçada também foi ‘‘Canção para Inglês Ver’’(Lamartine Babo-Alberto Ribeiro), com citação de ‘‘Chiquita Bacana’’ (João de Barro-Alberto Ribeiro), interpretada por Rogério Duprat e os Mutantes. Faltaram composições menos projetadas – Tom Zé é o grande injustiçado.
Mesmo assim ‘‘The Best of Tropicália’’ está de bom tamanho. Se é ótimo para o exterior, é bom para o Brasil. Talvez quando o mercado estrangeiro já tiver aprendido bem o bê-á-bá tropicalista, a Universal, a gravadora, deixe de ser menos didática para ser mais voluntariosa. Se é que até lá David Byrne, que já prestou grande serviço à nação ao resgatar e divulgar, recentemente, Tom Zé e os Mutantes no exterior, através de seu selo, não tenha feito, competentemente, todas as honras da casa.

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