Se depender da minicopa realizada na Escola Educativa, em Londrina, no último sábado, o Brasil já vai ser desclassificado no primeiro jogo contra a Croácia jogo previsto para marcar a estréia do Brasil na Copa 2006, na próxima terça-feira, às 16 horas, em Berlim (Alemanha). Na abertura da ''copa de faz-de-conta'', teve até apresentação de dança, ao som de ''Aquarela do Brasil'' (de Ari Barroso), enquanto as delegações dos 32 países representados na Copa desfilavam.
Mas não é para ficar triste com o resultado da ''copa simulada''. ''Isso aqui é só uma brincadeira. Na verdade, o Brasil está economizando gols para arrasar na Copa de verdade'', afirmou a aluna Jaddy Romero Passi, 13 anos, feliz da vida por ter competido com o seu pai, Denilson Passi, 38 anos. Ele é ex-jogador de futebol de salão (conhecido como ''Piti'') e junto com a filha e mais outra aluna representou a Inglaterra, e ajudou na conquista do segundo lugar. Na minicopa a taça da vitória ficou para a Suíça.
Foi a primeira vez que a escola decidiu trabalhar a temática da Copa do Mundo de forma interdisciplinar e a iniciativa foi recebida com entusiasmo pelos alunos e os pais também gostaram da proposta. ''A idéia veio na hora certa. É o momento especial em que o país está vivendo e a escola precisa estar antenada. Além disso, foi um grande prazer poder jogar com a minha filha, que é linda e boa jogadora'', exclamou o pai coruja.
Na minicopa foi respeitada a sequência de jogos definida pela Federação Internacional de Futebol (Fifa) para a primeira fase da Copa 2006. A cada cinco minutos, dois trios se enfretavam, sendo cada um formado por duas crianças e um pai de aluno. E como não poderia faltar, uma animada narrativa era feita pelos professores Ronan Oliveira Rodrigues da Silva, 40 anos, de Matemática; e Junior Cesar Dias de Jesus, 32 anos, de Educação Física.
Além da diversão, nos últimos dois meses a escola veio se dedicando à uma série de atividades para ampliar o conhecimento do aluno tendo como tema gerador o maior evento esportivo do mundo. Na aula de Matemática, por exemplo, os alunos de séries variadas visitaram o Estádio do Café para medir a sua extensão. A primeira série ficou responsável por estudar as regras que regem o futebol e até um árbitro foi convidado para fazer uma palestra para os alunos sobre a posição dos jogadores, impedimentos e a hora certa de usar o cartão amarelo (advertência) ou vermelho (expulsão).
A escola também trabalhou os reflexos da copa na economia. Até o preço de camisetas foram pesquisadas: no camelô, a partir de R$ 5,00 bem mais em conta que a oficial de R$ 175,00. As logomarcas dos patrocinadores oficiais e o investimento em mídia dos grandes conglomerados de comunicação também foram estudados.
Em um trabalho conjunto entre as disciplinas de História e Português, os alunos da 7 série visitaram pontos turísticos com influência germânica da região de Londrina e da cidade de Rolândia. Um jornalzinho foi elaborado com o roteiro visitado. Os alunos da 6 série, no entanto, confeccionaram um material impresso com notícias e curiosidades das copas mundiais.
O outro lado da questão, como os jogadores de times do interior, também foram abordados. Tendo como base uma reportagem publicada no caderno de Esportes, da Folha de Londrina, do dia 1º de junho, os alunos da 4 série tomaram conhecimento da triste realidade dos jogadores que defendem o Arapongas (time da cidade na Segundona, que sem salários e estrutura, se contenta em ter onde dormir e comer ''arroz, feijão e ovo''.) ''Eles ficaram impressionandos com essa situação. Normalmente, as crianças idealizam muito essa história de futebol que, de forma geral, é mostrada de modo glamuroso pela mídia. Foi uma forma de quebrar um pouco essa fantasia. Nem todos chegam a ser um 'Ronaldinho''', destacou a professora Danielle Murasaki, 25 anos.

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