Competente, como sempre!
Nos anos 40 e primeira metade dos 50, os filmes de guerra, focalizando, claro, a 2ª Guerra Mundial, eram produzidos em massa. Na verdade, e observando hoje, aquela foi a última guerra em que houve uma definição de heróis (nós, claro, os que lutamos contra o nazi-fascismo) e vilões. Quando acabou, os combatentes foram recebidos com festa, o que, por exemplo, não aconteceu no Vietnã. Era outra época, outra guerra, outra ótica. E o cinema, o que é natural, aproveitou o filão.
Steven Spielberg volta ao tema, em O Resgate do Soldado Ryan. Mas, o que também é até natural, o mago atual do cinema mostra uma versão diferente, uma guerra mais crua, dura e em que heróis e vilões reagem quase que do mesmo modo, com uma violência que não se via nos antigos filmes sobre o assunto.
A 2ª Guerra de Spielberg é sangrenta. A invasão da Normândia, o famoso Dia D, jamais foi mostrada com tanta crueza. Todavia, talvez seja este um dos fatores mais importantes do filme. Pois não é só importante resgatar a guerra para as novas gerações mas é vital mostrar toda sua bárbarie para que se perceba a estupidez dela, o custo imenso que representa em vidas e esperanças.
A história que dá base ao filme é conhecida: três irmãos morrem em diferentes pontos da guerra. Uma funcionária percebe isto, chama a atenção dos superiores que descobrem que há um quarto irmão envolvido na luta. E eles resolvem salvá-lo para devolvê-lo à mãe, para evitar que ela perca todos na batalha. No meio de tanta sangueira, de tanta morte, de tamanha destruição, parece um absurdo. É aliás esta a reação dos soldados que, depois de sobreviver à sangrenta luta nas praias da Normândia, recebem a incrível missão: procurar um único soldado para evitar que morra!
É um roteiro simples, pode até ser considerado meio melodramático. Todavia, funciona porque é levado com muita maestria pelo diretor e os atores dão uma dimensão quase real à tragédia. Não é um filme para se ver como uma distração, mas uma peça a ser acompanhada com emoção e sensibilidade. Um trabalho maísculo que resgata não só o soldado Ryan mas a cinematografia relativa à guerra como a maior estupidez que os homens já inventaram.Arquivo FolhaO Resgate do Soldado Ryan: os atores dão uma dimensão quase real à tragédiaEstelio Feldman





