Marcos Elídio Klein, gerente de suporte de Tecnologia da Informação da Viação Garcia, sempre foi um leitor apaixonado. Em uma de suas leituras, ele aprendeu que os livros precisam viajar. E Klein, que costuma comprar três a quatro exemplares mensais, resolveu levar as obras para um lugar onde estas pudessem cumprir sua missão.
Mas, ao invés de doá-los a uma biblioteca ou vendê-los a um sebo, Klein teve uma ideia melhor: levar os livros já lidos ao seu ambiente de trabalho. Assim, poderia incentivar seus colegas a lerem, disponibilizando-lhes obras mais recentes e difíceis de se encontrar em bibliotecas.
A estante em seu setor, que abrigava um ou outro livro técnico, então, precisou ser ampliada para receber outros gêneros, de romances policiais a livros de autoajuda. Em quatro anos, 293 exemplares já estavam à disposição dos funcionários da empresa - e o acervo cresce um pouquinho a cada mês.
A procura até que tem sido razoável: no momento, cerca de 30 obras estão emprestadas. Dentre eles, best-sellers como ''Crepúsculo'', ''O Caçador de Pipas'', ''O Código Da Vinci'' e ''A Cabana'' - que chegou a ter lista de espera, tamanha a procura. E alguns exemplares ainda têm percorrido longas distâncias. ''O gerente de Ourinhos pede para enviar alguns pelo malote da empresa'', relata Klein.
Ele conta que quando se casou, sua esposa não gostava muito de ler. Então, mostrava um ou outro trecho interessante, dava-lhe livros envolventes, e, assim, conseguiu convertê-la em uma leitora assídua, fã de Nora Roberts. É essa mesma influência e insistência que ele tenta aplicar hoje, em seu local de trabalho. A vontade de disseminar a paixão pelos livros é tamanha que bastou uma breve pausa na entrevista para ele recomendar Steve Berry, um de seus autores preferidos, ao fotógrafo da FOLHA.
Quem vê o desprendimento com que o gerente empresta seus livros, sem nem prazo para devolução, não imagina quanto apreço ele tem pelos volumes. ''Tenho ciúmes dos livros, não quero me desfazer deles. Mas acredito que eles não devem ficar parados na estante'', explica.
Para cuidar dos empréstimos, Klein conta com a ajuda da service desk Raquel Barzon, outra leitora contumaz. ''Quando vim trabalhar aqui, a primeira coisa que fiz foi olhar os livros'', revela Raquel, uma das funcionárias que mais usufrui dessa minibiblioteca. Ela reconhece que, se não fosse esse acervo, não teria lido tantos livros nos últimos tempos. ''Se você vai a um sebo, qualquer livro mais novo, como Crepúsculo, por exemplo, tem praticamente o mesmo valor que na livraria. Ficaria complicado comprar todos''.
E Raquel vê nessa iniciativa muito mais vantagens. ''Você se sente valorizado, vê que o gerente está vendo também seu lado pessoal. Dá para conversar sobre outras coisas, e o ambiente fica mais tranquilo. Isso te deixa mais à vontade para desenvolver o seu trabalho''.

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