Curitiba - Em apenas um ano, o espetáculo ''A Vida é Cheia de Som e Fúria'' foi visto por mais de 50 mil pessoas, ganhou 60 prêmios e foi responsável por projetar um dos nomes mais requisitados no cenário teatral nacional atualmente. Foi com a peça, baseada no romance cult ''Alta Fidelidade'' de Nick Hornby, que Felipe Hirsch ganhou o Prêmio Shell como diretor. Depois de ''A Vida...'', Hirsch dirigiu mais sete espetáculos e tem outros tantos programados para o próximo ano, incluindo uma projeto com Fernanda Montenegro.
Não há como negar que a ''A Vida é Cheia de Som e Fúria'', que estreou no Festival de Teatro de Curitiba (FTC) em 2000, foi uma espécie de porta de entrada no espaço que o diretor ocupa hoje e se transformou num ícone da Sutil Companhia de Teatro. A peça foi escolhida para comemorar os dez anos da companhia, que tem sede em Curitiba, ensaia no Rio de Janeiro e tem a maior parte da produção realizada em São Paulo. O espetáculo tem curta temporada em Curitiba e depois segue para o Rio.
Retomar o trabalho nessas duas cidades era um dos objetivos do diretor. A peça estreou durante o Fringe, renegada mostra paralela do FTC e ganhou proporções gigantescas, muito além do que as condições do evento permitiam. ''Percebemos que era isso que o público queria ver novamente, apesar da peça não fazer mais parte de mim'', conta o diretor. Ele diz que ''muita coisa mudou'' depois do espetáculo. ''Não sou mais o mesmo e não é mais o que eu faço, mas a peça tem muita força e é assim que as pessoas gostam', argumenta.
Não é exagero dizer que o espetáculo deu fôlego ao teatro curitibano. Hirsch conseguiu a façanha de levar o público ao teatro oferecendo um espetáculo de qualidade. São mais de duas horas de peça sem que se escute uma só tosse de um espectador acabrunhado. É talvez, uma das poucas boas unanimidades que o teatro paranaense tem notícia.
''A Vida...'' conta a história de Rob Fleming, DJ do Groucho Marx Clube no ínicio da década de 90, em Londres. Em plena crise dos 30 anos, Fleming é um homem apaixonado pelo universo pop musical. Paixão, aliás permeada pela estranha mania de listar coisas, como as cinco melhores músicas, as cinco piores separações, as cinco mulheres que poderiam fazê-lo esquecer Laura, principal objeto de suas frustrações, ainda que ele não admita.
Guilherme Weber interpreta irrepreensivelmente Fleming, papel que é mantido na nova temporada do espetáculo. A peça sofreu poucas alterações de elenco, ganhando apenas reforço de Christiane Macedo, substituindo Fernanda Farah, e Maurício Vogue. Depois de Curitiba, a intenção de Hirsch é voltar ao Rio de Janeiro com uma temporada mais popular, já que a primeira temporada na cidade teve o salgado preço de R$ 40,00 por espetáculo e não conseguiu atingir uma camada de público esperada pela companhia.
A nova temporada do espetáculo não é o único evento que a companhia escolheu para comemorar a sua primeira década. A data ainda vai ser lembrada com o lançamento, até o final do ano, de um site bilíngue e de uma revista. Em um balanço dos dez anos da Sutil, Hirsch analisa que um dos principais méritos da companhia foi renovar o público no teatro. ''Nós nunca tivemos problemas de público em Curitiba'', orgulha-se Hirsch.

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