A notícia foi recebida com muitos sorrisos e lágrimas de alegria na escola Ballet Luana Prado: a Companhia Jovem teve sucesso na seletiva que a levará a competir pela primeira vez no maior festival de dança do mundo, o Festival de Dança de Joinville. Das 5 mil inscrições, apenas 376 passaram pela peneira dos jurados e, entre eles, o grupo de adolescentes londrinenses. “Ainda não caiu a ficha, só vai cair na hora que a gente estiver lá” - diz Luana Prado, a diretora da Companhia.

O grupo é composto por 16 meninas de 12 a 15 anos de idade que têm o sonho de se tornarem grandes bailarinas – e agora estão um passo mais perto de realizá-lo. Para as noites competitivas do festival, a escola emplacou quatro coreografias, sendo elas um conjunto de jazz, um conjunto de ballet neoclássico e dois solos interpretados pela bailarina Valentina Giovanella, de 12 anos.

Valentina Giovanella, solista da Cia Jovem
Valentina Giovanella, solista da Cia Jovem | Foto: Divulgação

Além disso, outras 19 coreografias inscritas pela companhia foram selecionadas para a mostra dos palcos abertos do festival, que consistem em apresentações amistosas, ou para a competição Festival da Sapatilha, de menor porte. Ao menos outros três grupos de Londrina também se apresentam nessas últimas categorias, sendo elas a Funcart (Fundação Cultural Artística de Londrina), a escola Gesto’s Ballet e a escola Ballet Karina Rezende.

A conquista chamou a atenção da esfera municipal do governo. A secretária da Cultura de Londrina, Maria de Fátima Beraldo, definiu a aprovação como “um orgulho para toda a cidade”. Para ela, o fato de ter um grupo representando a cidade em Joinville é significativo pois “todos os grupos artísticos que se destacam e conseguem mostrar sua arte e expressão estão colaborando com a criação de uma sociedade que se comunica e vive melhor.”

O festival de Joinville recebe anualmente artistas nacionais e internacionais e consagrou-se com o título de maior do mundo pelo Guiness Book devido ao número de pessoas que atrai à cidade catarinense: mais de 230 mil de amantes da dança, dentre eles, 7 mil dançarinos participantes da mostra, segundo a organização. Este ano, comemora a sua 41ª edição entre os dias 15 e 27 de julho em espaços como o Complexo Centreventos Cau Hansen e a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil - única unidade do célebre ballet russo fora da Rússia.

DISCIPLINA E DEDICAÇÃO

Alcançar esse resultado foi uma tarefa árdua para as bailarinas. A rotina de ensaio da Companhia ocupa de 4 a 5 horas por dia, de segunda à sexta-feira. “Parecem ser horas, mas na verdade a gente pisca e passa” - relata a dançarina da Companhia Beatriz Rigo, de 13 anos.

Apesar disso, as adolescentes ainda precisam conciliar a dança com os estudos, afinal, todas elas ainda estão cursando o ensino fundamental e médio. A bailarina da Companhia Emilly Shizue, 14 anos, explica que “a base de tudo é organização. Organizar o tempo e focar quando vai estudar e quando vai treinar.”

Apesar da pouca idade das bailarinas, Tatiana Pimenta, diretora da escola Gesto's Ballet conta que essa é a idade mais propícia para esse tipo de evento. A faixa etária de seu grupo que vai a Joinville esse ano não ultrapassa os 19 anos de idade. "A maior parte das vezes vão as meninas (da categoria) juvenil. São as mais interessadas em participar de festivais e os pais também gostam e apoiam que elas participem" - justifica.

"Participar do Festival é uma oportunidade de estar em contato com professores diferentes, trocar experiências e se aprimorar" - relembra a diretora da Funcart, Luciana Lupi, que leva duas bailarinas de 15 anos ao Festival nesta edição. Nos palcos abertos, diversos grupos de dança do mundo todo se reúnem para dançar e também para trocar experiências.

Luciana enfatiza que momentos como esse servem de aprendizado na vida da bailarina e Tatiana enxerga, além disso, que "o palco aberto é a oportunidade que ela (bailarina) tem de não competir, para ela mostrar o que sabe e conhecer outros trabalhos também." A diretora da Funcart expõe que “o desafio do ballet clássico é manter a disciplina e a dedicação.”

Para todas, estar em Joinville é a prova de que enfrentar esse desafio demonstra a capacidade de suas bailarinas, pois “o Festival de Joinville é referência mesmo.” - diz Tatiana - “Quando a gente passa, significa que a gente está em um nível de qualidade técnica muito bom (...) porque existem vários outros festivais menores, mas eles não são avaliados por uma banca muito bem conceituada.” - conclui.

BUSCAR RECURSOS

Para além de ensaiar, a próxima tarefa é angariar recursos para a viagem, como demonstrou Luana: “A gente vai ter que se esforçar, porque precisamos de cenário, figurinos... Agora a gente vai ter que buscar um patrocínio para conseguir.” Mas recebem a tarefa com grande alegria, pois "para quem é bailarina, estar no maior festival de dança do mundo é algo surreal" - completa a diretora da Companhia.

É possível assistir à noite competitiva com a Companhia nos dias 16 e 17 de julho no Centreventos Cau Hansen ou online gratuitamente por meio da plataforma oficial de streaming do festival https://www.festivaldigital.com.br . As datas das demais apresentações do Festival ainda serão divulgadas por meio do site.