Companhia japonesa de butô Sankai Juku se apresenta até sexta em SP
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segunda-feira, 10 de abril de 2000
Por Ana Weiss 
São Paulo, 11 (AE) - A moleira, parte mais alta do crânio, é a última parte que se forma no corpo de um bebê: depois que nasce, ele continua por meses com a parte mais alta da cabeça aberta. Talvez por isso, acredita Ushio Amagatsu, diretor artístico do Sankai Juku, que apresenta a partir de amanhã (12) o espetáculo "Hiyomeki" - moleira em português -, é que a palavra se relaciona com a idéia de fonte contínua, por que é algo que continua em formação, mesmo quando tudo parece pronto.
"Hiyomeki" estreou no Théâtre de La Ville, em Paris, há dois anos. A França costuma receber em primeira mão os espetáculos do Sankai Juku por ser o lugar eleito por Amagatsu para trabalhar com sua companhia, graças às residências de criação oferecidas aos artistas pelo Centro Nacional de Dança Contemporânea de Angers, onde de dois em dois anos nasce uma nova coreografia do Sankai Juku, como foi com "Unetsu", espetáculo apresentado pelo grupo em sua mais recente visita ao Brasil, em 1998.
A nova peça, que utiliza cinco dos sete intérpretes da companhia, é arquitetada sobre o conceito circular de continuidade sugerido por seu nome. Ou, como descreve Amagatsu, sobre o processo de geração contínua, que é uma das imagens mais fortes dessa dança japonesa, na qual os movimentos parecem ocorrer mesmo quando todos param no palco. Plasticamente, o conceito da moleira não surge apenas dos movimentos - e pausas - dos bailarinos, mas também por meio de recursos cenográficos.
Além da luz, que costuma ser uma das assinaturas do Sankai Juku, o palco do Teatro Alfa vai receber um grande círculo metálico, de 9 metros de diâmetro. O subtítulo do espetáculo, "Dentro de uma Leve Vibração e Agitação", descreve momentos da peça em que Amagatsu e seu bailarinos propõem a transformação do espaço interno e externo do círculo em um único lugar. O diretor explica que a criação de um fluxo de vibração incessante faz com que o público já não veja a entrada e saída do círculo como atuações distintas, mas sim como duas partes do mesmo movimento.
"O que procuro em todos os espetáculos é atingir a universalidade", diz o diretor, sempre cuidadoso em explicar as palavras que dão origem às imagens do espetáculo, ou vice-versa. Amagatsu, que em sua primeira visita ao País, contracenou com um pavão no palco, diz sentir o público brasileiro cada vez mais em sintonia com o butô. E sente também não ter podido conhecer mais a dança brasileira durante essas três passagens pelo Brasil.
"Tive a oportunidade de trabalhar apenas com Ismael Ivo
durante minha última visita ao Brasil", ressalva ele. "Ivo tem um trabalho muito bonito e admirável", comenta o diretor da companhia que completou 25 anos de estrada, com 37 coreografias em um repertório visto em 60 apresentações no mundo inteiro. Serviço - Sankai Juku. Duração de 1h30.De quarta a sexta, às 21 horas. De R$ 20,00 a R$ 90,00. Teatro Alfa. Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, tel. 5693-4000. Até 14/4


