Companhia de dança leva recriação de Macunaíma a festival na Colômbia
São Paulo, 23 (AE) - Há dez anos, um grupo de bailarinos insatisfeitos com as academias resolveu montar uma companhia de dança. Algo diferente, que unisse a dança a outras linguagens, como o teatro e a literatura. Assim surgiu a Gestus Academia de Dança, que fará dia 25, na Colômbia, a abertura do festival internacional 5.ª Danza de Barranquilla, no Teatro Anisra de La Rosa.
Amanhã (23) o grupo fará uma apresentação às 20 horas em Bogotá, no Teatro Jorge Eliécer. A Gestus é a única representante do País no festival, que conta com a presença de bailarinos da Espanha, França, de Cuba, entre outros países. A escolha do grupo não foi por acaso. Afinal, a companhia apresentará um espetáculo tipicamente brasileiro, baseado em "Macunaíma", de Mário de Andrade.
A coreografia Perfil Transitório é encenada em meio a bananeiras e bambus e procura mostrar como a linguagem verbal pode ser traduzida em outra, não-verbal. Tudo isso faz parte de um projeto maior: a tese de mestrado que a diretora da academia de dança, Gilsamara Moura, está desenvolvendo no Departamento de Semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
Mas a pesquisa é realizada em conjunto com os integrantes da companhia. "Todos os bailarinos leram e estudaram a obra e, a partir daí, levantamos pontos para a dança e pontos de tensão, as hipóteses da tese", afirma Gilsamara.
Criação - Segundo a diretora da companhia, "Macunaíma" foi escolhido porque "pouca gente sabe mas Mário de Andrade escreveu esse livro na chácara Sapucaia, em Araraquara, nas férias, em 1926". E o mais curioso: dentro de uma banheira, escondido de seus parentes. Por isso, no primeiro momento será apresentado o processo de criação. A cena começa com o escritor, que se confunde com o próprio Macunaíma, saindo de uma banheira, representando o nascimento do personagem. Nessa etapa é explorada a crise entre a criação e o ócio, a preguiça.
A segunda cena trata da sexualidade, a relação entre Macunaíma e as índias. Em seguida vem a antropofagia. Duas bailarinas com bonecos despedaçados e facões lutam para mostrar o choque entre o nacional e o estrangeiro.
Por fim é apresentada a vinda do personagem a São Paulo. "É uma adaptação à modernidade, sem perder as raízes", explica Gilsamara. No fim da coreografia, Macunaíma retorna a sua tribo e o bailarino, à banheira. "A idéia é aprender sem perder a ingenuidade."





