Em um projeto audacioso, a Companhia Club Noir, de São Paulo, há um ano está percorrendo o Brasil com "Peep Clássic Ésquilo", em que apresenta durante três dias uma síntese da obra completa de Ésquilo, o primeiro tragediógrafo grego. Em Londrina, as montagens serão apresentadas de hoje a quinta, às 21 horas, na Usina Cultural. O espetáculos contemplam sete tragédias: "As Supilcantes" e "Os Persas", hoje; "Sete Contra Tebas" e "Prometeu", na quarta, e "Oresteia I" e "Oresteia II" (sendo que a trilogia original foi sintetizada em duas partes), na quinta. Cada dia de apresentação dura em média uma hora, com meia hora de duração para cada montagem. Os ingressos estão esgotados.
Com oito anos de atuação, a companhia sempre primou por autores contemporâneos que trouxessem uma nova ideia de humanidade, uma invenção radical que fugisse do tradicional. Após dezenas de montagens, o grupo se viu diante do desejo de ir mais além nesse interesse profundo pela dramaturgia, deparando-se com a intensidade da obra de Ésquilo, que nunca foi montada de forma completa por nenhum grupo do Brasil ou do exterior.
"De repente, nos deparamos com um autor que viveu há mais de dois mil anos e que por esse distanciamento histórico acabou por apresentar um universo novo, muito diferente da nossa visão de mundo contemporânea, ainda mais sendo ele de uma geração pré-socrática, um ‘lugar’ filosófico bastante distante daquele que estamos habituados a nos situar", explica o diretor Roberto Alvim. O elenco é composto por Juliana Galdino, Paula Spinelli, Gabriela Ramos, Martina Gallarza, Bruno Ribeiro, Fernando Gimenes, Marcelo Rorato, Renato Forner e Ricardo Grasson.
Com textos que apresentam as mais diferentes situações limites, como opção cênica o grupo optou por um minimalismo extremo, em que apenas uma lâmpada florescente demarca o cenário. Sem trilha sonora, o trabalho de ator e o poder das palavras e das vozes ficam ainda mais em evidência. "Há uma penumbra, um crepúsculo que marcam as nossas peças, mas as imagens que são criadas a partir do texto devem surpreender o espectador, causando sensações não usuais hoje em dia. O Ésquilo apresenta um mundo muito estranho para nós. É como se estivéssemos visitando um planeta estético alienígena por uma fresta, que promove alguns sustos, deslocamentos e uma alteridade radical com a nossa humanidade", destaca Alvim.
As histórias são apresentadas de forma independente e cronológica, uma oportunidade rara para conhecer o que ficou preservado até nós do autor grego, que escreveu dezenas de outros textos que se perderam pelo tempo. Vale lembrar que a tradução e adaptação dos textos foram feitas a partir dos originais em grego pelo diretor. "Fizemos uma síntese que manteve a essência dos textos nos ossos", brinca o diretor. (A.P.N.)

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