Como um feixe de luz
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de novembro de 1997
Zeca Corrêa Leite Curitiba 
José Luiz Pederneiras/DivulgaçãoMantendo a tradição de passar por Curitiba como um feixe de luz, deixando a platéia extasiada e boquiaberta, o Grupo Corpo volta hoje ao Guairão para uma única noite. A mais nova concepção da companhia: Parabelo, que Rodrigo Pederneiras coreografou sobre música de Tom Zé e Zé Miguel Wisnik. Um retrato amorosamente brasileiro, pintado com as cores e os movimentos do elenco mineiro.
O espetáculo, complementado por BACH, criação de 1996, encerra aqui sua turnê nacional. Em seguida o grupo embarca para 14 apresentações na França, passando por Lyon - na Maison de la Danse, uma das sedes da Bienal de Dança, que tem o Corpo como grupo residente desde 96 -, Saint Quentin e Grenoble. Todas as sessões acontecem em dezembro.
Nordeste e EuropaA última criação de Pederneiras mistura a linha musical pós-moderna de Tom Zé e a poética pop-erudita de Wisnik. As cores são de um sertão que, embora miserável e sofrido, é dono de uma alegria inconfundível. Talvez até por faltar tudo, só não lhe falta o gingado, o bailado do corpo, o gosto pela dança.
Se a explosão de cores festivas é velada sob um tule preto, na concepção dos figurinos de Freusa Zechmeister, ela se revela por inteiro no final do balé. Os bailarinos, como se estivessem descalços, colocam para fora vida e leveza: o colo desnudo das moças no decote das blusas tomara-que-caia, os dorsos nus dos rapazes.
O temperamento efusivo da peça, que segundo Rodrigo Pederneiras é sua criação mais brasileira e regional, forma um contraponto com BACH, que ocupa a segunda parte da noite. Impressionante número visto ano passado, com trilha sonora de Marco Antônio Guimarães, do Grupo Uakti, sobre a obra do mestre Johan Sebastian Bach. Se agora mistura-se cheiro de suor e terra, naquela montagem era a alma procurando caminhos do céu. Em tudo, comoventes retratos humanos.
Grupo Corpo - apresenta na primeira parte Parabelo, a mais nova concepção de Rodrigo Pederneiras, com música de Tom Zé e Zé Miguel Wisnik. Na segunda parte, BACH (de 1996), de Rodrigo Pederneiras, com música de Marco Antônio Guimarães, sobre a obra de J.S.Bach. Hoje, no Guairão, em Curitiba. Ingressos: R$ 30,00 (preço único).


