Aos 57 anos, Edson Celulari mantém intacto o "jeitão" de galã. O porte elegante aliado aos olhos verdes construíram o "physique du rôle" ideal para o ator interpretar diversas vezes tipos heroicos ao longo de sua trajetória. Casos de Jean Pierre, de "Que Rei Sou Eu?", Raimundo Flamel, de "Fera Ferida", e Júlio Cezar de "Explode Coração", entre outros.
No ar em "Alto Astral", ele comprova a força que tem no posto na pele de Marcelo, um homem maduro que ocupa uma das pontas do triângulo amoroso com Úrsula e Maria Inês, interpretadas por Sílvia Pfeifer e Christiane Torloni, respectivamente.
Para o ator, no entanto, esse "rótulo" não passa de um mero detalhe. "É tão bacana poder ver que o intérprete cresce na sua função com a sua idade. Porque acumula conhecimento, técnica, o olhar para o mundo, tudo isso... Fazer o galã é apenas uma classificação", acredita.
Com o amadurecimento, surge também o desejo de se aventurar por outras áreas. Um dos projetos que mais fascinam o ator atualmente é a série "Animal", parceria entre a Globo e o GNT. Além disso, fora da atuação, Celulari pretende ainda dirigir e até mesmo escrever algum projeto. "Acho que tem um monte de coisas que eu posso fazer dentro do meu espaço e que vão me dar prazer sempre", imagina.
Natural de Bauru (SP), Edson Celulari se mudou para São Paulo aos 16 anos para estudar teatro. Cerca de quatro anos depois, em 1978, estreou na televisão em "Salário Mínimo". E, aos poucos, escalações para personagens de maior importância dentro das tramas foram surgindo. Subir degrau por degrau na carreira, aliás, foi importante para o ator entender os mecanismos do meio artístico e manter os pés no chão. "Sempre fui muito determinado e sempre soube que queria ser ator. E mesmo, quando comecei a fazer tevê e a exposição foi grande, o sucesso nunca me deslumbrou", afirma.

"Alto Astral" tem vários personagens caricatos, mas o seu está inserido em um núcleo naturalista. Como foi encontrar o tom do Marcelo nesse contexto?
O Daniel (Ortiz, autor) é muito inteligente nisso. Acho que o folhetim se permite mesclar muitos estilos e núcleos distintos. Acho que é muito bom ver uma personagem como a Samantha (Claudia Raia), vivendo as loucuras dela, e ver também o núcleo romântico protagonizado por Nathalia Dill, Thiago Lacerda e Sérgio Guizé. Tem história para todos os lados. Se você tem domínio de cada coisa e sabe como fazer algumas fusões, não se corre risco, tanto que a novela é aceita. Claro que tem a complexidade da situação para construir o Marcelo, mas é um personagem que tem de ter a verdade do sentimento dele.

Como assim?
Ele acredita que vai conseguir realizar o sonho, que é ficar definitivamente com Maria Inês. É um homem que tem um sentimento e não desiste daquela relação. É um personagem com uma dimensão de maturidade que é bom de fazer. E é uma novela das 19 horas, que não tem nenhum interesse em pesar demais isso, em aprofundar, por ser uma novela mais curta. Então, acho que está do tamanho certo. Foi para isso que me preparei.

Ao longo da sua carreira, você já trabalhou várias vezes com o diretor Jorge Fernando, como nas duas versões de "Guerra dos Sexos", em "As Filhas da Mãe" e em "Que Rei Sou Eu?", entre outras. A presença dele em "Alto Astral" foi importante para que você aceitasse participar da novela?
Foi o personagem que me fez aceitar. O Jorge é um querido, com quem realmente trabalhei muitas vezes, assim como trabalhei muitas vezes com Silvio de Abreu, que é o supervisor da novela. Mas foi a qualidade do texto do Daniel Ortiz que me atraiu. Claro que é um pacote, mas essencialmente foi por causa do personagem e do texto.

Para alguém acostumado a interpretar protagonistas como você, estar em um núcleo paralelo ao principal em "Alto Astral" modifica seu trabalho de alguma forma?
Eu vejo igual. É claro que o protagonista trabalha mais, mas, se eu não faço bem o meu, atrapalha a novela igualmente. Não é o tamanho do personagem que faz o bom resultado, é o seu empenho, prazer, envolvimento e comprometimento com ele, com a obra, com a emissora e com o seu ofício. Então, me dá o mesmo prazer. É claro que eu não tenho as mesmas horas de trabalho, mas a responsabilidade não é menor.

Desde 2006, em "Páginas da Vida", você não atua em uma trama das 21 horas. Foi uma opção sua se dedicar a novelas menores e que sofrem menos "pressão", como as do horário das seis e das sete, ou não surgiram convites durante esse período?
Na verdade, acho que não tem essa coisa de mais isso ou mais aquilo. Acho que não é uma escolha nossa, é natural. É um jogo das cadeiras. As novelas estão sendo marcadas com muita antecedência agora. A ideia da Globo é ter hoje a definição das novelas das nove que serão exibidas até 2017 e também ter isso acertado com uma parte do elenco. E a emissora sabe que ainda estou muito preso a "Animal", que é um produto da Globo também, apesar de ter passado na grade do GNT.

Então existe a possibilidade dessa série ganhar uma continuidade?
Sim. Seria para janeiro do ano que vem, mas a gente começaria a gravar assim que acabar a novela. E agora está se acertando para ser uma minissérie na Globo. Ainda não está aprovado, mas está nesse processo.

Além da possível volta de "Animal", você está com algum outro projeto engatilhado?
Tem cinema para 2016. É um filme em que eu vou fazer um cego, é uma história linda de superação. Mais para frente eu falo mais. O filme quer aproveitar um espaço que o cinema brasileiro não ocupa muito. Não vai ser dessas bilheterias das comédias que aqui no Brasil acontecem e também não é um papo cabeça demais. Não vai chegar aos 5 milhões, mas, se atingir 1 milhão de espectadores, vai ser ótimo. E devo fazer teatro no final do ano, preciso esperar para ver o que vai acontecer. Quero começar a produzir, estou envolvido com produção de cinema. O audiovisual no Brasil está crescendo muito e é um mercado que me interessa também, não só como ator.

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