Como será o amanhã
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terça-feira, 31 de dezembro de 2013
Luana Borges<br>TV Press 
Em matéria de produção televisiva, 2013 foi um ano de tentativas. Nem sempre elas resultaram em acerto, é verdade. Mas o empenho das emissoras em prover inovações na teledramaturgia, no telejornalismo e na linha de shows só traz benefícios ao telespectador, acostumado com produções pouco ousadas ao longo dos anos. Diante de uma "debandada" da audiência para outras mídias, a televisão tenta correr atrás do prejuízo. Para isso, o primeiro passo foi sair de sua zona de conforto. A Globo apostou em temáticas arrojadas, como a de "Além do Horizonte", e estéticas cinematográficas, como a de "Joia Rara" bastante similar à da bem-sucedida "Cordel Encantado". Já a Record investiu pesado na primeira novela de Carlos Lombardi na emissora, "Pecado Mortal". Os números do Ibope, no entanto, ainda não acompanham o mesmo ritmo. Mas como qualidade quase nunca vem associada de altos índices de audiência, as novidades seguiram ao longo do ano. O telejornalismo da Globo sofreu uma mudança mais aparente do que estrutural com a "dança das cadeiras" entre seus âncoras. No final das contas, a ida de Renata Vasconcellos para o "Fantástico" pouco acrescentou ao dominical, que, na "corda bamba" entre jornalismo e entretenimento, parece cada vez mais perdido. Em contrapartida, o "Vídeo Show" "errou na mão" em sua reformulação com um exagerado Zeca Camargo no comando. Já o "Amor & Sexo" soube "soltar a franga" na medida certa e levou ao ar sua melhor temporada. Entre erros e acertos, os destaques do ano de "Melhores de TV Press", que acontece pelo 24º ano consecutivo, ficaram por conta das produções que saíram do lugar-comum. Apesar de, nem sempre, terem grande repercussão, ousadias estéticas podem contribuir a longo prazo para a qualidade da televisão.
Mesmo com uma história fraca e que, muitas vezes, anda em círculos, "Amor à Vida" se sobressai pela força de seus personagens. Por isso mesmo, além de conquistar a categoria "Novela", quatro de seus atores foram contemplados. Mateus Solano, que colocou o folhetim no bolso na pele do vilão carismático Félix, levou a categoria "Ator". Ao lado dele e dividindo as melhores cenas da trama, Elizabeth Savalla faturou como "Atriz". Assim como Vanessa Giácomo e Tatá Werneck se destacaram e foram escolhidas como "Atriz Coadjuvante" e "Atriz Revelação", respectivamente. Já a falta de comprometimento de Marina Ruy Barbosa com sua personagem, Nicole a atriz se recusou a cortar os cabelos, causando um verdadeiro tumulto na trama de seu núcleo -, lhe rendeu um espaço como "Destaque Negativo" profissional.
Apesar da pouca repercussão, "Pecado Mortal" chama atenção por seu roteiro bem amarrado. Em seu primeiro trabalho na Record, Carlos Lombardi foi escolhido como melhor "Autor". Luiz Guilherme, que interpreta o bicheiro Michelle na trama, ganhou como "Ator Coadjuvante" por apresentar uma atuação consistente e segura.
Nos aspectos técnicos, "Joia Rara" foi destaque em dois: "Figurino" e "Trilha Sonora". Os cenários de "Além do Horizonte", principalmente a cidade ribeirinha de Tapiré, levaram a melhor em "Cenografia". Além disso, a novela das sete, que ainda não caiu nas graças do público, conta com uma direção quase cinematográfica de Gustavo Fernandez, que foi o escolhido na categoria "Diretor". E "Saramandaia", outra ousadia estética, contou com uma concepção artística cuidadosa e ganhou como a melhor "Direção de Arte".
O "Destaque Negativo" em produção foi destinado a "O Dentista Mascarado", da Globo. Depois de criar muita expectativa e mistério sobre a contratação de Marcelo Adnet, a emissora levou ao ar um seriado abobalhado com um protagonista desconfortável e sem graça.
Telejornalismo
Em um ano em que as manifestações "fizeram barulho" nas ruas, o telejornalismo buscou uma cobertura intensa. Mas um tanto quanto tendenciosa e longe da eficiência que a internet mostrou nas situações mais tensas. Ao combinar informação com uma certa informalidade, o "Bom Dia Brasil", agora comandado também por Ana Paula Araujo ao lado de Chico Pinheiro, ganhou como "Telejornal". O "De Frente com Gabi", do SBT foi escolhido na categoria "Programa de Entrevistas". Sem tantos recursos e oportunidade de convidar nomes mais conhecidos do público, a produção, apresentada por Marília Gabriela, consegue realizar um bom trabalho e de conteúdo interessante. "Estúdio I", da GloboNews, foi escolhido como o melhor "Programa de Debate", uma das novas categorias deste ano em jornalismo. As outras são: "Programa de Reportagem", "Comentarista de Telejornal", "Repórter", que premiaram, respectivamente, "Profissão Repórter", da Globo, Edinho, do SporTV, e Renato Ribeiro, da Globo, que fez uma excelente cobertura da morte de Nelson Mandela na África do Sul. Além do "Destaque Negativo", que se dividiu em profissional e produção, categorias que foram contempladas por Dani Calabresa, que ainda não se encontrou no "CQC", e "Fantástico", que parece ter perdido o foco entre jornalismo e entretenimento.
Os shows da TV
A linha de shows lucrou com a volta ainda que em apenas cinco episódios de "Junto & Misturado", que foi eleita em "Produção Humorística". A grande mudança que a Globo promoveu foi no horário de exibição do "The Voice Brasil". Depois que passou a ir ao ar nas noites de quinta, a produção ganhou uma repercussão maior e levou a categoria "Programa de Competição e/ou 'Reality Show'". Serginho Groisman se mantém firme e forte como o melhor "Apresentador", assim como o "Altas Horas", este ano, em "Programa de Variedades". Como nem só de esmero estético é feita a televisão, o "Você na TV", da RedeTV!, faturou a nova categoria "Programa Trash". Afinal, a competência que João Kléber tem de transformar o nada em uma história que prende a atenção do espectador é admirável. Já Faustão continua com aquela velha mania de tornar seus convidados desinteressantes e foi escolhido como "Destaque Negativo" profissional. Enquanto o "Destaque Negativo" em produção sobrou para o "Vídeo Show".


