Em tempos de guerra, vozes de todo o tipo se levantam para pedir por um mundo melhor. Completando 21 anos de sua morte no próximo dia 8, John Lennon (1940-80), foi uma das vozes que mais alto falou pela paz, ou, pelo menos, uma das mais ouvidas, até que tiros a queima-roupa calaram-no para sempre.
E como os dias de hoje não estão mais fáceis e a guerra já é uma realidade, os clamores voltam a soar. Unindo esse intuito à mensagem de Lennon, para partindo daí traçar uma breve história dos Beatles, estréia hoje, às 21 horas, no teatro Jardel Filho, em São Paulo, o musical ''Dê uma Chance à Paz'', escrito e dirigido pelo italiano radicado no Brasil há 30 anos Billy Bond.
Um dos agentes do ressurgimento dos musicais nos dias de hoje - como também agente da importação de moldes tecnológicos e de produção - direta ou indiretamente ligado a grandes espetáculos como ''Rent'', ''Aí Vem o Dilúvio'', ''O Beijo da Mulher Aranha'' e ''Les Miserábles'', Bond não nega que, embora queira passar uma mensagem, a montagem busca consegui-lo pela via do entretenimento. ''Queremos fazer um apelo à paz sem sermos hipócritas. É claro que não vamos mudar o mundo'', diz. E arremata: ''Musical é para divertir''.
Para tanto, Bond situa o ponto de partida e chegada de sua peça, inspirada livremente no musical ''Beatlemania'' (''bem-feito tecnicamente, mas supérfluo''), exatamente no momento da morte de Lennon, intercalando ''cenas alegres e tristes, até a apoteose final'' - característica do ''Broadway way'', explica o diretor.
Ligando uma ponta à outra, o recheio dessa morte duplicada é a biografia do cantor e compositor, desde seu nascimento até... obviamente, a carreira com os Beatles.
E se os Beatles entram na história, da fase do rock ingênuo até a psicodelia do ''Sargent Pepper's Lonely Hearts Club Band'' e ''Yellow Submarine'', entram também as músicas que fizeram o sucesso avassalador da banda mais cultuada de todos os tempos, executadas ora por uma orquestra, ora por um conjunto (há outro grupo para tocar canções da fase Lennon-Yoko).
A vida de Lennon segue, até o ''sonho (que) acabou'', o casamento com Yoko, as polêmicas entrevistas e sua morte, para ''viver na lembrança das pessoas'', segundo Bond.
Para isso, Broadway, numa produção de R$ 800 mil. Luzes, cenários que andam sobre trilhos, oito atores, céu de fibra ótica e um telão que fecha o proscênio com imagens gigantes resgatam as frases reais de John Lennon. Assim, grande parte do impacto do texto vem exatamente das idéias registradas em áudio e vídeo durante a vida do compositor.
Outro impacto é a assombrosa semelhança da caracterização da dupla de protagonistas, Luis Pacini e Francine Mayumi Missaka, com Lennon e Yoko.
Francine foi miss nikkey de Londrina em 1998 e já foi lançada como cantora, tendo gravado um CD independente.


''Dê uma chance à paz'' - Texto e direção: Billy Bond. Com Luis Pacini, Francine Mayumi Missaka e outros. Em cartaz no Teatro Jardel Filho (av. Brig. Luiz Antônio, 884, em São Paulo). Informações pelo telefone (11) 3105-8433.

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