Como explorar o potencial turístico
PUBLICAÇÃO
domingo, 02 de março de 1997
Jackeline Seglin 
Vários programas e planos de desenvolvimento foram apresentados durante o 1º Fórum de Turismo do Norte do Paraná, realizado semana passada em Londrina. Entre eles, destacaram-se o Programa Nacional de Municipalização do Turismo (PMNT) do Governo do Paraná e o Programa Regional de Serviço Turístico Organizado (Presto), desenvolvido em Santa Catarina. Esses planos são a base para todo o desenvolvimento do potencial turístico de cada região.
A técnica da Paraná Turismo, Érica Osterloh, explicou todos os procedimentos do PNMT, que surgiu com a criação de um comitê nacional em 1994, responsável pela municipalização do turismo.
Entre os vários objetivos do programa, Érica apontou a conscientização da sociedade para a importância do turismo como instrumento econômico, melhoria de vida da população e preservação do patrimônio natural e cultural; as condições técnicas e organizacionais necessárias para o desenvolvimento da atividade, e a descentralização de ações de planejamento turístico, de forma a capacitar o município para elaborar seus próprios planos de desenvolvimento. Para isso, são necessários os monitores municipais do programa. Em Londrina, seis pessoas já fizeram duas oficinas de PNMT. O objetivo é conscientizar e sensibilizar os participantes da importância de propagar a idéia.
Também de extrema importância é o fortalecimento das relações entre os órgãos públicos na esfera federal, estadual e municipal com a iniciativa privada. É aí que entra a responsabilidade dos prefeitos, lembra Érica. Além disso, é importante acelerar a expansão e a melhoria da infra-estrutura básica, buscando parcerias para investimentos na região. Dois outros pontos foram lembrados para que o plano atinja seus objetivos: a contribuição para a formação e capacitação de profissionais visando qualidade e produtividade e o incentivo à formação de conselhos municipais para a viabilização de projetos.
O Comitê Estadual é quem orienta a implantação e acompanha do desenvolvimento do PNMT. Esse comitê é formado por membros do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Sebrae, Senac, Universidade Federal do Paraná, Unioeste, Associação dos Bacharéis em Turismo, Banestado e Paraná Turismo. Cabe aos municípios a escolha dos monitores, que vão elaborar o plano municipal, e a criação do Conselho.
Os monitores serão os responsáveis pelos próximos passos do desenvolvimento do plano, como elaboração do inventário de oferta turística do município e início da conscientização da comunidade para a importância econômica da atividade turística.
Integração O Projeto Regional de Serviço Turístico Organizado (Presto) também é desenvolvido no estado de Santa Catarina através de um planejamento turístico. Com o desenvolvimento regional, via roteiros integrados, a idéia é desenvolver o turismo como um todo, diz Lúcia de Liz Vieira, diretora de turismo em Lages. O objetivo, segundo ela, é o surgimento de novas empresas. O Presto é um projeto de metodologia desenvolvido pelo Sebrae.
O Turismo Regional tem o projeto que identifica a vocação turística do local. Depois do Presto, Lages descobriu o Turismo Rural como principal atividade turística do município. Hoje existe a preocupação com a melhoria, conta Lúcia. A Abraturr - Associação Brasileira de Turismo Rural - está lançando um selo de qualidade que vai classificar o turismo rural em nível nacional.
Identificar a vocação turística não é tarefa fácil. Segundo Lúcia Vieira, o Presto é um plano diretor da cidade que funciona em parceria com a comunidade. Seu objetivo é transformar o município em destino turístico. Primeiro é feito um diagnóstico do que existe hoje na região. A partir daí, passa-se a prever o que vai acontecer no futuro, explica. A diretora de turismo alega que a disposição política do município é muito importante. Esse plano vai mudar a estrutura do município. Se não houver vontade política, o planejamento acaba indo para a gaveta.
Para viabilizar o planejamento, a Embratur fez uma amarração entre os itens Conselho Municipal, Fundo de Desenvolvimento e o Presto. Utiliza-se a verba do fundo para desenvolver o plano. Senão, não há verbas.
Lúcia Vieira acredita que a sintonia regional é ponto fundamental no Presto. Além de estrutura, os destinos turísticos têm que ter um plano integrado. Ou seja, um circuito integrado. O turismo de eventos pode puxar o turismo rural, sem um tomar espaço do outro. E para isso existe o planejamento. Um exemplo citado pela palestrante é o próprio Fórum de Londrina: existe um evento na cidade (turismo de eventos) que vai terminar numa pousada (turismo rural). Mas para isso, é necessário infra-estrutura. O turista vai sair da fazenda, mas tem que ter o que fazer na cidade. A permanência do turista em cada localidade depende dos atrativos oferecidos.
Um incentivo para quem quer começar na área: Lúcia Vieira garante que o Turismo Rural foi uma válvula de escape para a agropecuária. Em Lages, conta, oito fazendas com uma média de 100 leitos cada uma recebem 60 mil turistas por ano. O movimento que essa modalidade faz é muito grande, vibra.


