Nada de sacudir a garrafa até a rolha voar longe. Deixe isso para os pilotos de Fórmula 1. Não pense que uma viagem à região do espumante acrescenta apenas novos itens a seu vocabulário gastronômico. Como bem diz um caro conhecido, há que sair de lá mais sofisticado. Beber champanhe é quase um ritual, faz falta o mínimo de requinte, ainda que pretenso. Se o argumento de boas maneiras não for convincente, o preço da garrafa dá cabo à polêmica. Desperdiçar tão valiosas gotinhas? Nem pensar.
Em Champagne-Ardenne, aprende-se a usar os sentidos para apreciar o espumante mais famoso do mundo. Uma leve rodadinha na taça faz exalar o perfume das uvas. As bolinhas sobem desenhando o líquido clarinho. O leve estalar do cristal, as cócegas na língua (mais tarde, elas insistem em subir para o nariz). Segure a taça pelo pé para não trocar calor com o champanhe, que deve ser servido não muito gelado siga a dica local: coloque a garrafa num balde de gelo por meia hora para então servir.
Como se vê, impossível não ter um surto de refinamento. Para acompanhar litros de champanhe (lá se foi ladeira abaixo o esforço de sofisticação), seguirão dias de gourmet. Basta escolher entre 400 opções de restaurante. A França é conhecida pela excelente gastronomia, e essa região não seria diferente, com diversas receitas preparadas à base do precioso líquido. Muitos são os ingredientes tradicionais nos pratos, entre eles o vinagre de Reims.
Em 1880, Haute-Marne, um dos quatro departamentos de Champagne-Ardenne, já produzia 12 toneladas de trufas. Feito de porco, o defumado l'andouillet de Troyes existe desde 878. A contribuição da região para o farto cardápio de queijos da França inclui o cremoso chaource, suave, e o langres, de sabor mais acentuado.
E nem pense que os franceses dali se esqueceram dos doces. O biscoito champanhe cor-de-rosa é o símbolo açucarado da região. A marca: Fossier. A curtição é molhar o docinho no espumante antes de dar a primeira mordida. Fique à vontade, ninguém olha torto. Assim como raspar o molho do prato com pão, o hábito é finíssimo. É preciso seguir um minucioso ritual para saborear o espumante, que combina com queijos e doces típicos.

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