Estreou na sexta-feira o filme ''Qualquer Gato Vira-Lata'', que tem a bonita Cleo Pires como protagonista. Ainda não assisti, mas vi as entrevistas e críticas especializadas que me sugerem um filme leve, sem grandes compromissos, identificado pelo elenco como uma ''comédia romântica brasileira'', na linha daquelas feitas em Hollywood e que levam multidões aos cinemas. Não sei como se sairá a produção nacional, dirigida por Tomás Portela. Pode ser um filme fraquinho, vi o trailer e não me empolguei muito com as cenas feitas no Rio, com aquela juventude dourada e frívola que parece ainda mais frívola no cinema, entre baladas e seduções manjadas.
O que me chama a atenção não é a produção em si nem as pretensões que a cercam. O que me chama a atenção é o tema do filme tirado de uma peça homônima, escrita por Juca Oliveira, que fez sucesso entre 1998 a 2002: ''Qualquer Gato Vira-Lata Tem Uma Vida Sexual Mais Sadia Que A Nossa''!
A história tem tudo a ver com os impasses da vida amorosa na atualidade. Tati, vivida por Cleo Pires, é apaixonada por um namorado infiel, daquele tipo que não pode ver rabo de saia. Desconfiada, ela tem um comportamento completamente histérico que a coloca sempre à beira de um ataque de nervos e isso a torna vulnerável. Ah! Se as mulheres soubessem o quanto se tornam frágeis quando não sabem lidar com as emoções mais primárias, como o ciúme. Que atire a primeira pedra quem já não deu vexames por conta disso.
Tati quer mudar seu comportamento para conquistar o namorado (interpretado por Dudu Azevedo), e procura a ajuda de um professor universitário ( Malvino Salvador), para aprender a 'se sair bem no amor', usando - vejam só - as teorias de Darwin e as leis da biologia. Ele faz para ela um manual com regras a serem seguidas e aí está toda graça da história.
Há diálogos imperdíveis sobre o comportamento de machos e fêmeas em todo reino animal. O professor defende a tese de que há papéis específicos para homens e mulheres, fazendo a crítica ao comportamento feminino na atualidade, quando mulheres embaralham as linhas da sedução partindo para o ataque. Sim, o filme aborda com humor o modo como hoje as mulheres saem atirando. E como o tiro almeja um alvo, no caso os homens, mostra o empenho deles em fugir das sedutoras de plantão porque, segundo o manual, eles querem mesmo é uma mulher difícil pelo simples fato de que são os 'caçadores'.
A graça dos diálogos está nas conclusões mais óbvias: por exemplo, se no ritual de sedução a gata 'arranha' o gato, a mulher também deve manter a defensiva, ainda que seja por puro charme. E, charme, às vezes, consiste em simplesmente esquecer o telefone ou contar nove vezes antes de atender ou ligar para eles para criar aquilo que mais atrai: a expectativa.
Pensem aí meninas, o velho Freud já constatou nas suas teorias que a satisfação imediata interrompe ou enfraquece o desejo. Na expectativa ou na demora da satisfação está o 'molho' que aguça o desejo humano. Portanto, não saiam correndo atrás dos namorados, eles se assustam. Não fiquem nas baladas olhando para eles como se fossem uma gata 'secando' o peixe no aquário, eles não se interessam. Ou ainda, não caiam nos 'braços' do pavão quando ele ainda nem abriu a cauda. Prestem atenção, no reino animal estão todas as chaves da conquista. No mais, é ir ao cinema para se divertir, o que, aliás, é uma boa pedida para quem tem vida própria.
Na entrevista de lançamento do filme, Cleo Pires disse uma coisa interessante, afirmou que não há regras para todos os relacionamentos, sejam eles ''apenas sexuais ou profundos''. Este 'apenas sexuais' me chamou a atenção. Parece que foi-se o tempo em que o sexo aprofundava os relacionamentos. Hoje fazer sexo não quer dizer nada, nada mesmo. Que pena!
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