Arquivo FolhaNitis Jacon: ‘‘Batalho e brigo pelo Festival. Mas não faço milagres e nem sou louca’’Mais uma vez a segunda fase do Festival Internacional de Londrina (FILO), que acontece de 19 a 31 de maio, não sairá como programada pela comissão organizadora. Motivo? O de sempre: a falta de dinheiro, que forçou a organização a reduzir custos. Até o momento, apenas a Mostra Regional/Nacional está com as contas em dia, graças ao tradicional patrocínio da Companhia Cacique de Café Solúvel. A fase internacional, orçada em R$ 1,5 milhão, tem apenas promessas. Na soma geral, a fase internacional teria, até agora, menos de um terço do orçamento inicial.
Segundo Nitis Jacon, o Governo do Estado - através da Secretaria de Estado da Cultura - praticamente ‘‘concretizou’’ o apoio de R$ 250 mil, enquanto o Fundo Nacional de Cultura liberou outros R$ 100 mil. ‘‘A Câmara de Vereadores de Londrina aprovou, no orçamento do Município, uma verba para o festival de R$ 200 mil. Estamos contando que a Prefeitura libere este dinheiro’’ - ressalta.
Além disto, o FILO está cadastrado para receber verbas pela Lei Rouanet, federal, e pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura. ‘‘Nesta, podemos arrecadar até R$ 700 mil mas, infelizmente, acho que não vamos chegar a um décimo deste valor’’ - afirma. Propostas de patrocínio estão sendo estudadas pelo Ministério da Comunicação - grande parceiro do festival ano passado -, Telepar, Sercomtel, Copel e grupo Positivo, porém, segundo Nitis, ainda não há respostas.
A diretora do FILO diz que não considera injustiça o Festival de Teatro de Curitiba ter uma verba de R$ 3 milhões, enquanto o de Londrina, com orçamento mais modesto, não consegue arrecadar o dinheiro necessário. ‘‘Não meço meu sacrifício pelo sacrifício dos outros. O festival de Curitiba anunciou este orçamento e eu torço, de coração, para que eles consigam todo o dinheiro. O que é injustiça é que alguns não consigam fazer um festival de qualidade com tranquilidade’’ - garante.
Para Nitis, esta indefinição na situação do Filo é velha conhecida e, segundo ela, já está chegando ao ponto de saturação. ‘‘Confesso que, todos os anos, eu juro que não faço mais o festival nestas condições. E todos os anos me vejo obrigada a enfrentá-las novamente’’ - lamenta-se. Segundo ela, o valor do festival para Londrina e o Paraná nem entra mais em discussão, pelo seu reconhecimento internacional, mas as pessoas estão acomodadas. ‘‘Todo mundo acha que eu faço milagres, que eu sou louca porque vou atrás das coisas, batalho, brigo. Mas eu não faço milagres. E nem sou louca. Em nenhum ano fiz um Festival além daquilo que posso pagar. Se tive problemas em uma das edições é porque não posso obrigar o governo, municipal ou estadual que seja, a assinar uma nota promissória para cumprir promessas’’ - afirma.
Mas ela ainda não desistiu. ‘‘Estou indo hoje (ontem) para o Rio, e, como faço parte da Comissão Temática de Artes Cênicas, vou me encontrar com o ministro da Cultura Francisco Weffort numa reunião. No sábado, estaremos com o presidente Fernando Henrique Cardoso, em Petrópolis (RJ)’’.(T.E.)

mockup