Comissão nega equívocos
A reportagem da Folha2 ouviu o Coordenador da Comissão de Avaliação dos Projetos Culturais, Sebastião Amâncio, o cirurgião dentista e maestro Guilherme Muller, integrante da Comissão, e o assessor da Secretaria Municipal de Cultura de Londrina, Deusimar Leite Farias, sobre os questionamentos dos empreendedores culturais.
A opinião de Muller sobre a carta de anuência dos participantes de alguns projetos é taxativa.‘‘Como se destina o dinheiro a um projeto sem saber se as grandes figuras do panorama internacional, professores de outros locais, sequer foram contatados?’. Para ele, não se pode trabalhar com conjecturas. Segundo os integrantes entrevistados, o Festival de Música de Londrina, por exemplo, deu conta de todos as cartas de anuência dos professores convidados para o evento. ‘‘Está tudo anexado lᒒ, garante o maestro. No caso do projeto da professora Janete El Haouli, em que não constava a carta de anuência, Muller afirmou que ‘‘se tivesse que votar de novo, votaria NÃO’’.
Durante a entrevista, Sebastião Amâncio respondeu a poucos dos questionamentos dirigidos a ele, passando muitas vezes a palavra a Deusimar Leite Farias. A respeito da justificativa da reprovação do projeto Ballezinho de Londrina (‘‘faltou clareza na descrição do orçamento’’), Deusimar advoga a dificuldade de voltar à análise individual de cada projeto. ‘‘A Comissão analisou o orçamento e verificou que faltou clareza’’, respondeu economicamente.
Sobre a autorização dos responsáveis pelos 290 bailarinos menores de idade do Ballezinho, Deusimar alega que esse item constava no Edital e faz a seguinte conjectura: ‘‘vamos supor que ocorresse um acidente e alguns desses alunos se machucassem, e daí, como fazer?’’. A respeito do parecer da Escola Municipal de Dança, reprovado pela inclusão no projeto de um ventilador para a sala de aula, Sebastião Amâncio, acrescenta: ‘‘a pessoa precisa ter clareza do que realmente quer. Se você quer um ventilador, você justifica o ventilador’’.
Questionado sobre a forma pelo qual foram escritos os pareceres, levando os empreendedores a interpretações subjetivas, Deusimar reforça: ‘‘foi a fórmula mais certa que achamos, fazer referência aos aspectos da legislação’’.
Leo Pires Ferreira, integrante da Comissão, confirmou, por telefone, que foi impedido de comparecer a muitas reuniões, pois ‘‘no verão, fatalmente a soja está no campo’’. Além de pesquisador da obra de Monteiro Lobato, é pesquisador do Embrapa. Devido ao horário das reuniões (14 às 17 horas), não pôde comparecer. ‘‘Esse horário, para mim, limitou bastante’’, afirma. Segundo ele, a suplente, Yeda Marques Russo, sempre o representou na sua ausência.
A reportagem da Folha solicitou ao coordenador da Comissão se poderia verificar o livro ata em que constava o registro das reuniões da comissão, para verificar a regularidade da presença dos integrantes. A solicitação foi feita verbalmente por três vezes e não foi aceita. Sebastião apenas antecipou que os 13 titulares da Comissão que comparecem à reunião tem direito à voto, o suplente não.(F.F.)

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