A Comissão que analisou os projetos inscritos na Lei Municipal de Incentivo à Cultura divulgou ontem o edital de convocação para os empreendedores culturais de Londrina. Dos 178 projetos apresentados para o ano 2001, 97 foram aprovados, resultado que causou surpresa no meio cultural. No ano passado, das 200 inscrições, apenas 47 receberam o crivo de aprovação.
Os integrantes da Comissão aspiraram a ‘‘gordurinha’’ nos valores apresentados em todos os projetos aprovados, empreendendo cortes significativos que chegaram a 50%. Com isso, um número maior de projetos foi aprovado, num valor total de R$ 1.711.633,49. Um exemplo de enxugamento de valores, fato verificado em muitos projetos, foi realizado no preço unitário da refeição para artistas convidados que chegava a R$ 15,00. Esse valor foi revisto.
Os empreendedores foram comunicados por telefone do resultado e têm até amanhã para fazer a readequação de valores. ‘‘A Lei é de incentivo e não sustentadora de projetos’’, afirmou a porta-voz da Comissão, Dora Barnabé. Para o grupo responsável pela análise dos projetos reza a filosofia de que o município é parceiro e não financiador de projetos. As propostas foram reprovadas, em sua maioria, pela falta de documentação.
Dora Barnabé destaca a inclusão de projetos dirigidos aos portadores de necessidades especiais, à manutenção do registro histórico de Londrina e à fomentação da criação literária. As atividades em escolas públicas e projetos de formação cultural receberam um número expressivo de inscrições.
A próxima etapa do ‘‘Grupo dos Sete’’ será a de repensar a Lei e também de melhorar o atendimento aos agentes culturais. Dora Barnabé sugere um monitoramento aos projetos aprovados, verificando as possibilidades e dificuldades para a execução deles durante o ano.
Até o mês passado, os produtores não vislumbravam sequer a perspectiva dos projetos serem analisados. ‘‘Tudo foi feito em regime de exceção e urgência, em cima dos critérios que herdamos’’, justificou Bernardo Pellegrini, Secretário de Cultura. A intenção agora do órgão é o de associar esses projetos ao interesse público, inserindo-os na Rede da Cidadania.
A atriz e produtora Carla Diacov considera justo os cortes nos valores. ‘‘Mas exageraram no número final de projetos aprovados. Ficou uma coisa meio Robin Hood’’, opina. Seu grupo garantiu três propostas na lista dos 97. Já o bailarino e coreógrafo Wagner Rosa se encontrava exultante, destacando na comunicação entre Secretaria e produtores ‘‘um passo gigante para que tudo comece a correr’’. ‘‘Era Uma Vez’’ e ‘‘Felizidade’’, projetos de Wagner Rosa, receberam 50% de cortes. Sobre a proposta de empreendedores e órgão municipal iniciarem um diálogo aberto na fomentação e manutenção da cultura londrinense, o coreógrafo Leonardo Ramos desabafa: ‘‘É importante recuperarmos o respeito pelo nosso trabalho novamente, algo que foi negado durante os últimos quatro anos’’.


Relação dos aprovados
Projeto/Empreendedor

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