Comida de chácara
Em homenagem aos 77 anos de Londrina e a pedido da FOLHA, o professor Marcelo Sokolowski, junto com sua aluna Tânia Ayres Silva, criou uma receita que tem a cara da cidade. A inspiração partiu de um conto do renomado escritor londrinense Domingos Pellegrini, ''O Último Porco'', que fala um pouco dos costumes dos meninos de outrora: a matança do porco, no sítio ou nas chácaras, era encarada pelos moleques como um rito de passagem. E todos se lembram de como era comum passar a infância com os pés enfiados na terra por aqui.
Com este mote, o professor batizou o prato, formado por medalhão de pernil de porco com molho de jabuticaba com whisky, batata de mangarito, talos de taioba refogada e as folhas da taioba frita, de ''Pernil da Chácara''. Para compor o prato, Sokolowski pegou um pouco da comida que se comeria nos sítios e chácaras de Londrina.
O mangarito é uma espécie de planta da família da taioba, natural da Mata Atlântica, ecossistema dentro do qual a cidade está situada. ''É uma planta que tem no mato aqui, mas que, em São Paulo, é vendida por R$60 o quilo'', compara o professor. Sokolowski observa que, com o desmate da Mata Atlântica, muitas espécies que nasciam por aqui sumiram, e o palmito e o mangarito são alguns resquícios. Mas ele lembra que ainda há em Londrina uma família de japoneses que cultiva a planta, que hoje pode ser encontrada nas feiras.
Fruta vendida na rua e na feira por lata, a jabuticaba também pode ser encontrada em alguns quintais cidade afora, assim como a pitanga. Já o whisky, que compõe o molho, é em homenagem aos colonizadores ingleses.
O queijo frescal utilizado na receita, produzido por uma família de Londrina, preserva o modo de preparo de antigamente, com leite cru. A iguaria é produzida há 75 anos - quase a mesma idade de Londrina -, e o sabor nunca foi alterado, garante Tânia Silva, que vende os queijos ''da Tia'' na feira.(M.F.C.)





