Para falar francamente, ‘‘Os Excêntricos Tenembaums’’ é um bom filme do princípio ao fim, e às vezes é ótimo. Original (não chega a ter uma trama), engraçado, refrescante, elenco nivelado por alto, é tudo aquilo que o espectador em busca de estimulante novidade espera de uma comédia. Mas como o inusitado com frequência foge ao convencional, incomoda, é visto com desconfiança e em seguida rejeitado, o filme pode não agradar às chamadas grandes platéias. O que é uma pena.
Num prólogo narrado por Alec Baldwin ao som de ‘‘Hey Jude’’, somos informados que Gene Hackman (Globo de Ouro de melhor ator) é Royal, o egoísta e indiscreto patriarca de uma família de gênios em Nova York, os Tenembaums. Há um mago em finanças, Chas (Ben Stiller), um astro do tênis, Richie (Luke Wilson) e a depressiva Margot (Gwyneth Paltrow), uma dramaturga e filha adotiva. A mãe, Etheline (Angelica Huston) anda desagregada. Quando o filme de fato começa, anos mais tarde, Royal está tentando desesperadamente reunir de novo a família. Com imensas dificuldades, diga-se, já que o clã vem provando quase irreversível disfunção. A notar: todos os membros, sem exceção, mesmo não tendo maiores ligações afetivas com Royal, estão conectados visceralmente ao velho, e associam seus sucessos e fracassos à influência dele.
Terceiro longa de Wes Anderson (Rushmore), ‘‘Os Excêntricos Tenembaums’’ é amostra do melhor e mais inteligente humor judeu, às vezes próximo da veia hilária de Woody Allen. O filme pode e deve ser visto simultaneamene como um divertido e implacável olhar sobre as misérias afetivas de nossos tempos. (C.E.L.J.)

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