COMÉRCIO DE DVDS CRESCE 70%
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segunda-feira, 22 de outubro de 2001
Irinêo Netto<br> Agência Folha 
As vendas de aparelhos de DVD entre janeiro e agosto deste ano superaram o total do ano passado em 70%. Paulo Saab, diretor-presidente da Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos), atribui essa expansão do mercado a um ''fenômeno da modernidade''.
Para explicar o fato, ele cita que a transição da TV analógica para a digital deve ser mais rápida que a do televisor em preto-e-branco para o TV em cores. Teoricamente, o DVD deverá aposentar o videocassete em menos de 15 anos - tempo de que o CD precisou para bater os discos de vinil. Nesse processo, o que orienta o consumidor brasileiro é sua ''atração por novas tecnologias''.
Oceano Vieira, editor do ''Jornal do Vídeo'', atua como consultor do mercado de VHS (e de DVD) desde 85 e diz que, se a indústria conseguir produzir 2 milhões de aparelhos por ano, em 2005, o DVD terá 50% do mercado.
''Acredito que o videocassete, que só nos últimos três anos chegou à classe mais pobre, vá continuar sua trajetória de vendas'', diz Vieira. Só neste ano (até o mês passado), 729 mil videocassetes foram vendidos no Brasil.
Se o DVD oferecia poucas opções de títulos há dois anos, agora isso não é mais um problema. Este mês, o número de lançamentos em disco digital será o dobro dos filmes em VHS. A diferença deve-se, em parte, ao fato de as distribuidoras investirem no relançamento de catálogos e de produções clássicas só em digital.
O DVD chegou ao mercado brasileiro em agosto de 97, importado por uma empresa de eletro-eletrônicos oito meses depois de surgir no Japão e seis depois de ser lançado nos EUA. Até o final deste ano, o Brasil terá 825 mil aparelhos de DVD. A estimativa é do ''Jornal do Vídeo'', que fornece dados para publicações como a ''Variety'', dos EUA.
Desde o primeiro DVD nacional, ''Era uma Vez na América'', de Sergio Leone, até a aguardada coleção de ''O Poderoso Chefão'', com material inédito sobre a trilogia de Francis Ford Coppola, foram lançados 1.350 títulos, somando-se os filmes (classificados como ''DVD vídeo'') aos shows (''DVD music''). Há ainda o ''DVD áudio'', com qualidade de som cinco vezes superior à do CD.
O DVD possui uma particularidade: enquanto o VHS é sinônimo de locação, o disco digital arrebanha aficionados dispostos a investir em acervos pessoais. ''O DVD nasceu com a característica de produto colecionável'', diz Ana Paula Imenez, coordenadora de marketing da Columbia TriStar.
Por características como menu interativo, que facilita o acesso ao conteúdo do disco, é comum encontrar DVDs com atrações extras, de cenas de bastidores a comentários do diretor sobre sua obra - material que seduz colecionadores
''Gladiador'', com Russell Crowe, é o DVD mais vendido no Brasil (70 mil unidades) e foi lançado numa versão com dois discos - um deles só com extras que incluem cenas inéditas e um documentário sobre gladiadores. ''Todo mundo que compra um DVD quer ter o filme em casa'', diz Maurício Abud, gerente de marketing da MGM/ Fox.
Só no varejo, sem contar as vendas para videolocadoras, a versão em VHS de ''X-Men'' vendeu 5 mil cópias. Já as réplicas em DVD venderam 31 mil unidades. Outro ponto a favor do DVD é o lançamento de filmes que chegam ao vídeo. ''Aconteceu Naquela Noite'', de Frank Capra, ''Manhattan'' e ''A Última Noite de Boris Grushenko'', de Woody Allen, são exemplos de títulos que, no Brasil, só existem em DVD.
O DVD subjuga o videocassete em vários quesitos, mas tem um calcanhar-de-aquiles: não consegue gravar a novela das oito nem o filme da madrugada - coisa que o videocassete faz. Vieira diz que o aparelho de DVD regravável ainda vai demorar a ganhar o mercado. Segundo o consultor, o preço ainda é ''proibitivo''. Só o DVD virgem custa, em média, US$ 80 (mais de R$ 200).


