Comemoração artística em dobro
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sexta-feira, 01 de dezembro de 2017
Marcos Roman<br>Reportagem Local 

Reconhecido como o mais antigo evento permanente de teatro da América Latina, o Festival Internacional de Londrina inicia neste final de semana a programação "Filo Rumo aos 50 Anos", que marca o cinquentenário do evento que será celebrado em 2018. A abertura da primeira etapa das festividades que contará com apresentações teatrais, shows musicais e performance de dança terá comemoração em dose dupla. Prestes a também completar cinco décadas de carreira artística no próximo ano, Denise Stoklos volta a cidade com seu mais recente espetáculo.
Após décadas desenvolvendo um trabalho performático singular que foge a qualquer tipo de rótulo e que foi aclamado no mundo todo, contabilizando apresentações em nada menos que 33 países, a atriz paranaense optou por levar para o palco apenas o essencial para o trabalho de um ator. No espetáculo "As Palavras Gestuais de Denise Stoklos", que será apresentado no Teatro Ouro, nesta sexta-feira (dia 1) e sábado (2), às 20h30, a artista optou por dispensar tudo o que pode ser descartável em uma encenação. Mergulhando neste conceito, a nova montagem da artista não conta com cenário, com iluminação, com figurino, e outros componentes.
No palco, a artista segue a proposta conceitual que encontra na palavra um lugar potencialmente criativo de imagens, gestualização e visualização. Isso situado em um ambiente com apenas uma mesa e uma cadeira. Quatro peças da autoria de Denise Stoklos serão lidas sem suas coreografias. Em ordem cronológica de criação, os textos pertencem ao repertório de espetáculos solo, entre eles "Desobediência Civil", "Mary Stuart" e "Des-Medéia".
Paranaense nascida em Irati (sudoeste do Estado), Denise Stoklos graduou-se bacharel em Jornalismo e licenciatura em Ciências Sociais. Iniciou sua carreira teatral profissional em 1968. No início de sua carreira trabalhou no Rio de Janeiro e São Paulo como atriz com diretores importantes como Antunes Filho, Antonio Abujamra, Luis Antonio Martinez Correia e Fauzi Arap. Estudou mímica em Londres. Seu trabalho é definido por ela mesma como "teatro essencial" foi reconhecido através de várias teses escritas por diferentes mestres e doutores em artes cênicas de diversos países como um sistema novo no qual privilegiam-se as potencialidades do ator em cena, seu corpo, sua voz, sua intuição, intelecto tudo relacionado a uma crítica social através de depoimento pessoal e cívico da realidade política em que vivemos. Tem mais de quinze peças solos de sua autoria e publicou seis livros que renderam inúmeras homenagens, prêmios e destaques de autoridades culturais nacional e internacionalmente como representante da criatividade em teatro.
Em entrevista à FOLHA, a artista falou sobre a emoção de retornar ao Filo neste momento duplamente comemorativo.
A construção deste novo espetáculo é uma forma de se auto-desafiar?
Sim, sempre. Se não houver esse desafio permanente, a própria obra não teria tudo isso que permeia a nossa vida que é o medo, o desconhecido, a insegurança, o novo, a não possibilidade de usar recursos conhecidos. Esse encontro com o vazio tem que estar sempre junto. E neste espetáculo, pelo fato de ser leitura, me deixa sem os recursos de corpo, de expressões corporais, de desenho pelo espaço, o que leva a um desafio.
Que balanço você faz destes 50 anos de carreira?
Pela perspectiva que eu sempre tive de a cada novo trabalho é sempre necessário me rever. Esse é mais um dos momentos em que isso acontece. E é sempre como a primeira experiência, por incrível que pareça. Cada vez é mais dolorido. Isso não passa, só piora. Até porque a gente não tá procurando se assentar em nada, nem se repetir. Então é fatal que seja assim: um processo sempre complicado. Tendo que iniciar do zero. Principalmente no Brasil onde não temos tanta memória.
Como recebeu o convite para abrir as comemorações do Filo Rumo aos 50 anos?
Me apresentei pelo menos três vezes no festival. A primeira foi em 1998, se não me engano. Fiquei muito feliz com esse convite. Em novembro de 2018 completo 50 anos de carreira, que comecei aos 18, em Curitiba. Para mim é muito especial tanto por essas efemérides todas, essas coincidências, e também porque é um festival pelo qual tenho o maior apreço, um evento de importância mundial. Certamente vai ser um momento único.
Serviço:
As Palavras Gestuais de Denise Stoklos
Quando Sexta-feira (1) e sábado (2), às 20h30
Onde - Teatro Ouro Verde (Rua Maranhão, 85)
Quanto - R$ 15 (meia-entrada) e R$ 30 (inteira)
Pontos de venda Bilheteria do Teatro Ouro Verde (uma hora antes do espetáculo, Pátio San Miguel, Ótica Diniz, Cafeteria Latam, Sueko Jóias ou www.diskingressos.com.br


