Curitiba O Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba, está comemorando um ano de programação. Desde que iniciou a sua agenda, em julho de 2003, dois episódios distintos separam o que teria sido o pontapé inicial para os seus eventos com o que acontece atualmente. O primeiro o anúncio antecipado, e posteriormente frustrado, de uma grande mostra sem que os custos da mesma tivessem sido checados com antecedência revelou o despreparo do governo em assumir um local da proporção do MON.
O segundo, um ano depois, já revela uma administração aparentemente com os pés no chão, firmando parcerias para as boas exposições que começam, finalmente, a acontecer no espaço. Trata-se da mostra em cartaz, ''Obras do Dadaísmos e Surrealismo'', uma das três exposições de caráter internacional que já ocorreram no museu, organizada por meio de fortes alianças.
Inaugurado no final do governo Jaime Lerner (PSB), em 2002, o prédio projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer teve suas portas fechadas dois meses depois do atual governador Roberto Requião (PMDB) assumir. Assim permaneceu por quatro meses. Depois de 120 dias sem definir o futuro do espaço, o governo anunciou que o prédio iria reinaugurar com uma das maiores exposições já vistas no Brasil: Os Guerreiros de Xi'an e os tesouros da China, que estava em São Paulo. A exposição, como se sabe, não aconteceu em Curitiba e as outras mostras ocorridas no museu no ano passado não chegaram a ter, digamos, tanto êxito quanto a mostra chinesa.
Somente agora, um ano depois de iniciada a programação, o museu começa a se consolidar como o espaço para que foi projetado: não apenas um prédio capaz de receber grandes exposições, mas um local onde as mesmas realmente acontecem. A diretora do MON, primeira-dama Maristela Requião, admite que o episódio da mostra chinesa causou um certo desgate para a imagem do museu, mas justifica: ''Eu preferi ter esse desgate do que ter problemas futuros na administração''. Ela explica que a exposição chinesa era muito cara e o governo não conseguiria arcar com os custos da mostra. Mas por que foi anunciado com antecedência, uma mostra desse porte, sem que as condições para que ela ocorresse tivesse sido conferidas?
Maristela não chega a falar em despreparo, mas conta que nunca tinha tido experiência anterior em uma ''empresa pública''. ''Eu vim da empresa privada e não imaginava que era tão complicado buscar recursos dentro dessa esfera'', confessa. Inaugurado como NovoMuseu, o espaço foi entregue à nova administração sem dotação orçamentária própria e com uma organização social, o mecanismo capaz de buscar recursos privados, já sob investigação judicial. O primeiro passo, segundo lembra Maristela, foi mudar o nome do espaço e criar uma nova organização social com o objetivo de buscar e administrar verbas para uma programação à altura do prédio.
''Eu tive que mudar o nome do museu. Decidimos por homenagear o arquiteto que o projetou e ele (Oscar Niemeyer) ficou muito feliz com isso'', conta a primeira-dama, amiga pessoal do arquiteto, rebatendo possíveis críticas ao nome do prédio. As amizades e os aliados políticos aliás têm sido fundamentais na busca dos investimentos para as mostras que ocorrem no MON, a maioria com orçamento perto (ou mais) que R$ 1 milhão, como revela Maristela.
Agora, os recursos são obtidos por meio da Lei Rouanet, a lei federal de incentivo à cultura, em projetos aprovados em tempo recorde, capaz de causar inveja para qualquer produtor independente. ''Eu tenho a vantagem de ser mulher do governador e ter contato com muita gente'', diz Maristela justificando a aprovação quase instantânea dos projetos referentes às exposições do MON.
Além de parcerias fundamentais com empresas patrocinadoras, como a Petrobras, a administração do MON também tem firmado alianças com instituições de peso e referência nacional, como o Instituto Tomie Ohtake, a Pinacoteca de São Paulo e o Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Essas alianças permitem dividir os custos de grandes mostras internacionais que vêm ao Brasil e podem ser realizadas fora do eixo Rio-São Paulo.
Em um ano, foram realizadas 21 exposições (veja relação nesta página), três delas internacionais. Até o final de 2004, devem ser realizadas outras exposições de peso, como as tapeçarias do Petit Pallet, atualmente em cartaz na Pinacoteca de São Paulo. Em dois meses também, segundo adianta Maristela, devem ser inaugurados a loja do museu, com objetos referentes ao espaço, e o café. ''Ambos não significam muito em termos de retorno financeiro para o museu, mas são espaços que estão sendo cobrados pelo público'', conta Maristela.
Outra novidade programada para o segundo semestre é a abertura da ''menina dos olhos'' do arquiteto que projetou o prédio, o olho de vidro do museu. Aberto para visitação, mas sem abrigar uma exposição desde que o prédio foi inaugurado, o olho deve abrir em agosto com uma mostra de obras recentes de Oscar Niemeyer. ''Ninguém sabe o que serão, se desenhos, esculturas ou maquetes, ele apenas me pediu para esperar'', revela a diretora do museu. Na mesma exposição, obras de Tomie Ohtake também serão mostradas. Por enquanto, o olho de vidro está apenas recebendo uma película protetora, para que futuramente não prejudique as obras ali expostas.

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