O forró deu o tom na sexta edição do Prêmio Tim de Música, realizado na noite de anteontem no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Dominguinhos (formal, de terno preto, mas com um típico chapéu de couro branco) foi o grande homenageado, em uma premiação que já rendeu tributo a nomes como Ari Barroso, Jair Rodrigues, Baden Powell e Zé Ketti. Aplaudido em pé pelo público logo no início da cerimônia, a trajetória do sanfoneiro foi relembrada por Marieta Severo e Marcos Palmeira, apresentadores desta edição.
Nascido em Garanhuns, Pernambuco, em 1941, José Domingos de Moraes, deu à sanfona sotaques novos e diferentes. Descoberto ainda pequeno por Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, Dominguinhos enriqueceu a música nordestina misturando generosamente instrumentos e gêneros musicais com virtuosismo e sensibilidade. São mais de 40 discos gravados ao longo de quase seis décadas, com destaque para parcerias com grandes nomes da MPB, tais como Chico Buarque (''Tantas Palavras'', ''Xote da Navegação''), Djavan (''Retrato da Vida'') e Gilberto Gil (''Lamento Sertanejo'').
Concorrendo pela primeira vez ao Prêmio Tim, Paulinho da Viola estreou com o maior número de indicações (sete), com o disco''Acústico MTV'', e de troféus (três) - ''Vai Dizer ao Vento'', na categoria Melhor Canção (as três músicas finalistas eram de sua autoria), Melhor Disco (Acústico MTV), na Categoria Samba, e Melhor Cantor, na mesma categoria. O trabalho do cantor também foi reconhecido na categoria arranjador, com Cristóvão Bastos. ''Só as indicações já valiam. O fato de participar já é uma vitória'', afirmou Paulinho da Viola.
Outro destaque da noite foi Ivete Sangalo, cujo trabalho foi reconhecido pelo Júri Técnico (Melhor Cantora - Categoria Regional) e Voto Popular (voto pelo site do Prêmio e mensagem de texto (SMS). A baiana concorreu com nomes como Alcione, Elba Ramalho, Elza Soares e Gal Costa. Ao ser chamada para receber o prêmio de melhor cantora regional Ivete levou um papel com o nome da concorrente Elba escrito e um coração desenhado, indicando com gestos que ela era merecedora do prêmio.
Vítor Ramil surpreendeu ao receber o prêmio de melhor cantor também pelo voto popular, desbancando nomes como Caetano Veloso, Djavan e Emílio Santiago (agraciado com dois troféus na categoria MPB - Melhor Disco (De um Jeito Diferente) e Melhor Cantor como o mesmo trabalho. Ainda foram premiados nomes como Martinho da Vila (Melhor Cantor na categoria Canção Popular), Fafá de Belém (Melhor Disco e Melhor Cantora na mesma categoria), Jorge Benjor e Vanessa da Mata, melhor cantor e cantora, respectivamente, na Categoria Pop/Rock e Fundo de Quintal (Melhor Grupo - Categoria Samba).
A dupla sertaneja Victor & Léo venceu a categoria Fulltrack (música mais baixada pelos clientes da Tim) por ''Amigo Apaixonado Ao Vivo''. Além de subir ao palco para ser homenageado, Dominguinhos também recebeu o troféu de Melhor Disco - Categoria Instrumental por Yamandú + Dominguinhos. Antes da cerimônia, Martinho da Vila destacou que mais do que a premiação, o que apreciava era a festa - uma oportunidade de reunir artistas de diferentes estilos musicais. Após a premiação, Vanessa da Mata disser ter sido uma honra ser indicada e ganhar um prêmio tão sério. ''Estou feliz'', confessou. Ao todo, foram 35 ganhadadores de um total de 104 indicados.
Com rigor técnico e poucas falhas, o formato da entrega dos troféus não permitia aos premiados discursarem. Ao serem anunciados, os vencedores das 38 categorias, anunciadas em blocos de três, quatro ou cinco cada, tinham poucos segundos para chegar ao palco - com exceção das Meninas de Sinhá, um grupo de 11 senhoras mineiras agraciado com o prêmio de melhor grupo regional.
A cerimônia começou com mais de meia hora de atraso e teve 1h40 de duração. Com a sanfona e banda de oito músicos, Dominguinhos dividiu o palco com Gilberto Gil (''Eu só quero um xodó''), Elba Ramalho (''De volta pro meu aconchego''), Nana Caymmi (''Contrato de separação''), Vanessa da Mata (''Lamento Sertanejo'' - primeira vez cantando com Dominguinhos), Zezé di Camargo (que também tocou acordeón) e Luciano (''Tenho sede''/ ''Vida de Viajante'') e Ivete Sangalo (''Gostoso Demais'').
O homenageado abriu a noite ao lado da filha, Liv Moraes, em ''Casa tudo azul''. No encerramento, o grande momento da noite: o encontro dos sanfoneiros Oswaldinho do Acordeon, Renato Borghetti, Toninho Ferraguti, Gennaro, Waldonys e Adelson Viana interpretaram ''Nilopolitano'' e ''Asa Branca''. Já os forrozeiros Genival Lacerda, Jorge de Altinho e Flávio José relembraram ''Isso aqui tá bom demais'', ''Pedras que Cantam'' e ''Riacho do Navio''. Rildo Hora assinou a direção musical. Gringo Cárdia foi o responsável pela cenografia e direção de arte, que privilegiou cores fortes no palco e referências à festa junina e ao sincretismo religioso. Na cerimônia um pouco sisuda, o momento de descontração ficou por conta dos depoimentos engraçados e emocionantes de pessoas comuns e famosos sobre o significado da música, expostos na tela do palco ao longo da apresentação.
Antes do início da cerimônia, uma grande quantidade de repórteres e fotógrafos se acotovelavam para registrar a presença de cantores, atores e jornalistas no Municipal. A atriz Vera Fischer foi uma das mais assediadas. Para alguns jornalistas, saber qual o estilista vestia a celebridade era tão importante quanto descobrir para quem ela estava torcendo. Elza Soares chamou a atenção vestida de rosa (microssaia formada por várias rosas vermelhas, corpete com o desenho de uma folha e várias tatuagens pelo corpo). ''É uma criação de Guilherme Tavares especialmente para o evento. Gosto da loucura. O que é normal não faz a minha cabeça''.

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