Amanhá é dia de festejar o ''Dia do Nada'' em Londrina. A data foi criada há três anos por um grupo de artistas e ativistas locais com o objetivo de celebrar o ócio no Dia do Trabalho. Estão previstas instalações, intervenções e atividades lúdicas variadas no Centro da cidade.
A programação começa ao meio-dia. A Praça Rocha Pombo, localizada entre o Museu de Arte e o Museu Histórico, foi escolhida para o happening. A exemplo de edições anteriores, a manifestação ocorre propositalmente na primeira segunda-feira após a data comemorativa oficial.
Os artistas prometem radicalizar a proposta. A instalação ''Corpo sem roupa, roupa sem corpo'' convidará o público a ficar nu. ''Tirar a roupa é um ato libertário. As pessoas poderão ficar peladas a tarde toda'' explica o colunista da Folha e idealizador do evento Rubens Pillegi Sá.
Na performance ''Fomiséria'', o artista plástico João Zaniolo irá acender uma fogueira, cozinhar uma sopa de pedra e oferecê-la aos passantes. Para a instalação ''Sudário'', Ariany Cristina Damas prepara a exposição de um varal de pinturas corporais. O compositor João Rancharia executará uma música criada especialmente para a ocasião.
O fanzineiro Rodrigo Vallin estará distribuindo cópias de sua publicação ''Boi Sonso''. Uma performance intitulada ''Tirando Onda em Califórnia'' mostrará os participantes paramentados com pranchas de surf, pés de pato e indumentária apropriada. Os curiosos serão convocados a colocar o fone de ouvidos para escutar o som ambiente.
A idéia, aqui, é que a pessoa perceba o som que ouve todos os dias, mas que, normalmente, não presta atenção, devido à rotina. Além da praça Rocha Pombo, as escadarias da Catedral serão ocupadas por uma Parada Gay. ''A intenção é questionar a discriminação e a relação da igreja com as camadas excluídas'' salienta o organizador Thadeo Amélio.
A programação se estenderá até 18 horas. Como os organizadores assinalaram nas edições anteriores, o happening visa provocar uma reflexão oferecendo uma alternativa de resistência coletiva contra o trabalho individualista, mecânico, desprazerozo e explorador. ''O Dia do Nada não é contra o trabalho. Ele é a favor do prazer em fazer. Por isso, não se trata de não fazer nada, mas de FAZER NADA, o que é muito diferente uma da outra coisa'' sublinha um trecho do manifesto do grupo.
''O público londrinense tem sido receptivo a poéticas mais contemporâneas e não institucionalizadas. Ele, na verdade, anseia por esse tipo de ação'' afirma Pillegi. Mais informações sobre o Dia do Nada podem ser conferidos no site www.nothingday.hpgvip.ig.com.br.

Serviço:
- Amanhã: happening ''Dia do Nada''. Horário: das 12 às 18 horas. Local: Praça Rocha Pombo, entre o Museu de Arte e o Museu Histórico de Londrina.

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