Curitiba - O Balé Teatro Guaíra comemora 35 anos de fundação com uma apresentação com a Orquestra Sinfônica do Paraná no Auditório Bento Munhoz da Rocha Netto, de 29 de abril a 2 de maio. O balé se une à orquestra para apresentar ''Pastorale, Sinfonia nº 6'', de Beethoven; e ''Exultate Jubilate'', de Wolfang Amadeus Mozart. A regência da orquestra será do maestro-titular Alessandro Sangiorgi.
As coreografias das duas peças são de Vasco Wellenkamp e Milko Sparemblek, artistas que contribuíram com várias coreografias criadas especialmente para o Balé Teatro Guaíra, segundo explica a diretora do Balé Teatro Guaíra, Carla Reinecke. ''São coreógrafos que contribuíram para o crescimento artístico e a construção da fama que a companhia desfruta hoje.'' ''Exultate Jubilate' mostrou o seu vigor e grande beleza na temporada de 2000 em apresentações pelo País e pelo Paraná'', lembra a diretora.
O Balé Guaíra, conhecido nacional e internacionalmente pela sua qualidade artística, é um dos grandes patrimônios culturais do Paraná, e no seu 35º aniversário vai homenagear no espetáculo de estréia todos os artistas, técnicos e amigos que ajudaram na sua formação.
Carla Reineck diz que as comemorações continuarão no decorrer do ano quando em junho será apresentada uma nova montagem (ainda a ser definida) com coreografia de Henrique Rodovalho, renomado coreógrafo do grupo Quasar, também com participação da orquestra. Para o final do ano o balé e a orquestra apresentarão ''O Quebra-Nozes''. O espetáculo será encenado no Guairão de novembro a dezembro deste ano, em datas ainda a serem estabelecidas, cumprindo temporada estimada em 15 apresentações.
Criado pelo governo do Paraná em 1969, o Corpo de Baile da Fundação Teatro Guaíra, como era chamado, teve como primeiros diretores Ceme Jambay e Yara de Cunto. Logo em seguida, em 1971, Yurek Shabelewski, coreógrafo de renome internacional, é contratado para dirigir o balé por cinco anos, período em que montou obras como ''Paixões Rebeldes'' (Bach), ''Pastoral'' (Glazunov), etc. ''Mosaicos'', com música de Marlos Nobre, inaugurou o Auditório Bento Munhoz da Rocha Netto (Guairão) em 1974. Na temporada de 1975 foi montado o Segundo ato do balé ''O Lago dos Cisnes''.
No ano seguinte, o bailarino e coreógrafo Hugo Delavalle assumiu a direção produzindo vários espetáculos, destacando os balés ''As Estações'' (Glazunov), ''Jeux des Cartes'' (Stravinski) e ''Gisele'' (Adam/Coralli). Foi com ''Gisele'' que em 1977 a companhia tornou-se conhecida nacionalmente, depois de uma bem sucedida temporada em São Paulo e no Rio de Janeiro, com Ana Botafogo no papel-título.
Sob a direção de Eric Waldo, foram criadas em 1978 obras com músicas de Patápio Silva, Benjamim Araújo, entre outros.
Em 1979, quando seu nome foi modificado para Balé Teatro Guaíra, a companhia passou a ser dirigida pelo coreógrafo português Carlos Trincheiras, que durou até 1993. Foi nessa época que obras importantes, de autoria dele e de outros renomados coreógrafos, passam a integrar o repertório do Balé.
Entre as diversas coreografias de Trincheiras, como ''Dimitriana'', ''Canto de Morte'', ''Sinfonia 3'', ''Petruchka'', ''Sagração da Primavera'', se destaca ''O Grande Circo Místico'', inspirado no poema de Jorge de Lima, com música composta especialmente para o Guaíra por Edu Lobo e Chico Buarque, e roteiro de Naum Alves de Souza, que consagrou o Balé Guaíra tornando-o conhecido também internacionalmente.
Nesses 13 anos, diversos coreógrafos reconhecidos mundialmente criaram balés de grande valor artístico para a companhia. Nomes como Milko Sparemblek, Vasco Wellenkamp, Olga Roriz, Béjart, Rodrigo Pederneiras entre tantos nomes importantes tornaram o Balé Teatro Guaíra aclamado em por onde passou.
Com a morte de Carlos Trincheiras, em 1993, assume a direção sua mulher, Izabel Santa Rosa. Após essa fase o BTG teve como diretores Jair Moraes, Marta Nejm e Cristina Purri, e diversos coreógrafos convidados, tais como Luis Arrieta, Tíndaro Silvano, Márcia Haydée que criou uma nova versão para o balé ''Copélia'', chamado ''Coppéllius, o Mago''.
Em 1999, assume a direção Suzana Braga e a companhia é dividida em duas. É criada então pela direção do teatro o Guaíra 2 Cia. de Dança com bailarinos do BTG que desejavam se voltar para a pesquisa na dança contemporânea, grupo que ficou sob a direção de Carla Reinecke, atual diretora do Balé.
Sob a direção de Suzana Braga, novas obras, como o ''Segundo Sopro'' (Balé da Água, como ficou conhecido) de Roseli Rodrigues, ''Trânsito'' e ''Orikis'' de Ana Vitória, ''Díptico'' de Tíndaro Silvano e ''Nem Tudo Que Se Tem Se Usa'' de Andrea Lerner e Rosane Chamecki, enriqueceram o repertório.
Em 2002, Luís Arrieta coreografou uma nova versão de ''O Grande Circo Místico'' para o qual Edu Lobo e Chico Buarque revisaram as músicas, Rosa Magalhães criou novos figurinos e cenário, e Dani Lima se encarregou das coreografias aéreas. Mais uma vez o Balé Teatro Guaíra, levado em turnê por todo o país, é consagrado como uma das melhores companhias do Brasil repetindo o sucesso da 1 versão.
Em 2003, assume a direção Carla Reinecke, coreógrafa e professora de Dança, dando continuidade aos convites de apresentação do ''Grande Circo Místico'' e do ''Segundo Sopro'', devido ao sucesso das duas obras, e às turnês já agendadas.
Em 2004, para as comemorações dos 35 anos do BTG, Carla decide voltar a fazer parceria com a Orquestra Sinfônica do Paraná. Admiradora e conhecedora do grande valor artístico dos dois corpos estáveis decidiu então para este ano três temporadas em conjunto.


Serviço:
- Apresentação Balé Teatro Guaíra em comemoração aos seus 35 anos, com a Orquestra Sinfônica do Paraná. Auditório Bento Munhoz da Rocha Netto (Guairão)
De 29 de abril a 1º de maio às 20h30 - Dia 2 de maio às 18 horas
Ingressos: R$ 12 (preço único)

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