Comédia romântica com sexo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Omar Godoy<br>Equipe da Folha 
Não é difícil entender por que ''O Amor e Outras Drogas'', em cartaz a partir de hoje no Brasil, teve um desempenho decepcionante nas bilheterias dos Estados Unidos. Vendido como comédia romântica, o filme tem realmente toda a estrutura do gênero. A diferença, no entanto, é a temática um pouco mais ''adulta'' para o paladar do público médio.
A começar pela crítica firme à indústria farmacêutica americana, com direito a estilhaços para médicos gananciosos e consumidores viciados. Aqui, Jake Gyllenhaal (''O Príncipe da Pérsia'') vive Jamie, a ovelha desgarrada de uma família ligada à medicina. Largou a faculdade para ser vendedor até que, de certa forma, reencontra-se com o mundo da saúde ao se tornar representante de um grande fabricante de medicamentos.
Seu trabalho consiste, basicamente, em agradar os médicos de todas as maneiras possíveis, para que eles receitem os produtos de sua empresa. Uma rotina ingrata e um tanto inútil num mercado dominado por tubarões maiores, não fosse o advento de um remédio revolucionário: o Viagra (o filme se passa na segunda metade dos anos 90). A pílula azul explode em vendas e sua carreira vai às alturas, com tudo de bom e ruim que isso pode significar.
Paralelamente, Jamie se aproxima de Maggie (Anne Hathaway, de ''O Diabo Beste Prada''), um caso raro de jovem com Mal de Parkinson. Os dois se conhecem num hospital e engrenam um relacionamento tumultuado, já que a moça evita um envolvimento mais profundo - enquanto ele não esconde que está apaixonado. É aí que entra em cena o outro elemento ''adulto'' da trama: o sexo.
Os personagens falam ''daquilo'' o tempo todo. Também não são poucas as cenas de sexo, marcadas pela nudez do casal principal. Enfim: algo cada vez mais difícil de se encontrar no cinemão de hoje em dia, que tem a obrigação de atrair toda a família.
Outro item raro presente em ''O Amor e Outras Drogas'' é o ótimo entrosamento de Gyllenhaal e Hathaway (que já trabalharam juntos em ''O Segredo de Brokeback Mountain''). Bem conduzidos pelo diretor Edward Zwick (mais conhecido por superproduções como ''O Último Samurai'' e ''Diamante de Sangue''), os dois esbanjam química nesta comédia romântica que certamente foge do padrão atual.


