I love you por Je t'aime. A troca é simples e indolor, e para quem nunca arriscou ver um filme leve e inteligente numa outra língua, pode ser um bom começo assistir este despretensioso, quase modesto ''A Noiva Perfeita'', em lançamento hoje no circuito local (veja a programação de cinema na pagina 2). Uma coisa é certa: o divertimento será maior e, em consequência, a chateação bem menor. Atenção: não é um filme de arte, em que pese esta ''maldição'' que geralmente acompanha os trabalhos produzidos na França. É, antes de mais nada, uma boa oportunidade para saber que os europeus, quando se trata de cinema, via de regra enxergam melhor por onde pisam...
Não é a primeira vez que o cinema nos apresenta um protagonista como Luis Costa (Alain Chabat), um perfumista solteiro de meia idade, cômodo e feliz, que integra uma família exclusivamente de mulheres - mãe e seis irmãs -, onde os cunhados não contam porque devidamente amestrados. Pois estas mulheres um dia descobrem que Luis se tornou uma espécie de tirano que extrai o melhor de todas em proveito próprio. Elas então passam a planejar a vida amorosa dele como se isto tivesse a importância da invasão da Normandia.
Mas ele também tem seus planos: disposto a eternizar o status de solteirão, contrata uma garota a mais parecida possível com o modelo de noiva idealizado pela família para ser sua futura mulher. Ela é Emmanuelle (Charlotte Gainsbourg), filha de seu melhor amigo, jovem desencanada e disposta a tudo para faturar um bom dinheiro e manter seu estilo independente de vida. O arranjo parece muito conveniente para o casal, mas a convivência fará uma reviravolta na vida de ambos.
Perceberam como tudo é parecido nos dois lados do Atlântico ? O que faz então a diferença a favor dos gauleses ? ''A Noiva Perfeita'' se enquadra nesta moldura charmosamente francesa, em que a comédia se associa com o romance e a sátira se une às aventuras e desventuras de seus protagonistas. Assentado sobre um roteiro construído com habilidade, o diretor Eric Lartigau converteu a trama, permeada por situações absurdas, em uma fábula em torno dos permanentes dilemas do amor, da família e dos compromissos sociais. Nada com peso de doutorado na Sorbonne, mas com suficiente 'joie de vivre' para divertir sem qualquer culpa ou remorso por hora e meia.
A dupla envolvida nesta trama à base de excentricidades e gags encontrou em Chabat e Charlotte intérpretes sob medida, capazes de manter o tom que o gênero requer sem incorrer em excessos ou pecar por carências.

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