Zeca Corrêa Leite
O cineasta curitibano Maurício Yared abriu um endereço eletrônico - [email protected] - com a única finalidade de manter contato e trocar idéias com internautas sobre seu filme ‘‘Realidade Virtual’’, que será o primeiro a navegar integralmente pelas ondas da Internet. O curta-metragem é uma ‘‘comédia futurista’’ de 12 minutos, que mostrará a relação de um internauta com seu computador.
O filme está entrando em fase de produção, depois de ter sido aprovado pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura e pela Lei Rouanet. Pelo que se sabe, esta será a primeira experiência nestes moldes de veiculação em todo o mundo. O filme, porém, não ficará preso à rede da Internet.
Yared afirma que vai lançá-lo normalmente nos festivais de cinema, do Brasil e exterior, além da exibição normal em sessões comerciais e culturais, TVs a cabo e abertas. Estará disponível ainda em vídeo e, é claro, em CD-ROM.
O roteiro de ‘‘Realidade Virtual’’ foi escrito em abril do ano passado, e a idéia de se utilizar a Internet para veiculá-lo ocorreu em março último, quando Yared estava de passagem por Curitiba.
Atualmente radicado no Rio de Janeiro - é editor sênior na Globonews -, o cineasta foi o produtor e diretor do curta ‘‘Atraídos’’, com Herson Capri e Flávia Monteiro, lançado em dezembro de 1996, e visto por pelo menos 15 mil pessoas em Curitiba, nas nove semanas em cartaz na cidade.
‘‘Realidade Virtual’’, apesar do exagero da situação, não está distante da vida real. Conta as peripécias de Ronervaldo - personagem vivido pelo humorista Eduardo Martini -, um solitário que trabalha, faz compras, diverte-se e relaciona-se com o mundo somente via Internet. Circula pelas mais variadas esferas sem sair do tímido espaço do apartamento.
Como o assunto é cibernético, tudo será contado na base de muita piada virtual. ‘‘As situações engraçadas que se pode criar desta relação surreal, entre o homem e a máquina, são tantas que dá até vontade de fazer um longa-metragem’’, comenta Yared.
Ronervaldo é praticamente mudo. O que se ouve no filme é a voz de sintetizador, emitida pelo computador. Isso mostra a invasão da máquina no cotidiano das pessoas, que se mostram totalmente apáticas, cada vez mais prisioneiras daquilo que as cerca.
O filme está orçado em R$ 150 mil. Empresários interessados em dar apoio cultural ao projeto poderão fazê-lo através das Leis de Incentivo Municipal ou Federal, sendo que o dinheiro investido poderá ser descontado do ISS, IPTU ou Imposto de Renda. O nome da empresa patrocinadora poderá constar dos créditos de abertura do filme, em todo o material gráfico e até em forma de merchandising.
Neste caso, as opções são a própria tela do computador da história, ou um dos serviços que o personagem acessa via Internet, sejam as salas de bate-papo, bancos, jornais, cursos, serviços públicos, compras em geral. Informações mais completas sobre como patrocinar o filme são prestadas através do fone (041) 244-8083 ou pelo e-mail [email protected]

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