Comédia de Wes Anderson abre 65º Festival de Cannes
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quarta-feira, 16 de maio de 2012
Luiz Carlos Merten <br> <br> Agência Estado 
Cannes - Excêntrico, desde a família Tenenbauns, é um adjetivo sempre associado ao diretor norte-americano Wes Anderson. Seu humor e seus personagens são particulares, como o estilo visual. O novo Wes Anderson, que abriu ontem o 65º Festival de Cannes, tem todas as características do diretor, não necessariamente as qualidades. ''Moonrise Kingdom'' narra a improvável história de amor de um escoteiro órfão e de uma garota, ambos com 12 anos. Sentindo-se incompreendidos, resolvem fugir. O fato desencadeia uma reação - eles são perseguidos pela família, o xerife e a assistente social que se encarrega do caso dele. E tudo culmina numa grande tempestade que assolou a América em 1965.
Filho do meio, Anderson confessou na coletiva que sempre se sentiu negligenciado pelos pais. ''Família é uma coisa que eu entendo'', diz o diretor. Para tentar prová-lo, ele conta a história não de uma, mas de duas famílias disfuncionais, a do menino e da garota. De repente, é toda a sociedade que é disfuncional, mas há esperança, você vai ver. A grande curiosidade de ''Moonrise Kingdom'' é que, nele, Anderson refaz, como live action, a animação de ''O Incrível Sr. Raposa''. Tudo é muito parecido, incluindo o estilo de representação dos atores.
Cannes 2012 começou sob o signo de um antirrealismo. O que isso significa? É ainda o primeiro dia, não dá para formular ideias nem conceitos, mas pode vir a ser uma tendência.
Thiérry Frémaux, o delegado-geral do festival, que assina a curadoria da seleção oficial, isto é, da competição e da mostra Um Certain Regard, negou que sofra interferências ou pressões. Ele acrescentou que selecionar os filmes para Cannes não quer dizer escolher aqueles de que gosta. Mais que o gosto pessoal, o que prevalece na seleção é um conceito - o que é melhor para o maior festival do mundo. ''Moonrise Kingdom'' foi uma escolha estranha (discutível?) para abrir a disputa. O filme é autoral, mas um tanto vago. Impecável é a trilha, de Alexandres Desplat.
Como todo ano, o festival abriga manifestações paralelas do cinemão, que se beneficia do tapete vermelho e da vitrine internacional do evento. Ontem, Chris Pine e Alec Baldwin vieram mostrar cenas da animação ''Rise of the Guardians'', da DreamWorks, que deve estrear no fim do ano. O material exibido - em 3D - é riquíssimo.
O júri presidido por Nanni Moretti inclui as atrizes Hiam Abbas, Emmanuelle Devos e Diane Kruger. Berenice Béjo é a maitresse de cérémonie. Embora trabalhe com humor, Moretti é o perfeito misantropo, sempre com cara de mal-humorado. Antes mesmo de ver os filmes, os críticos apostam na sua provável premiação. A maioria acredita que será um filme de recorte político. A resposta sai em 11 dias.


