Quem vê Napa hoje defendendo a arte do grafite com seriedade não imagina as experiências – nem todas boas - que enriquecem os seus 25 anos de vida. O primeiro contato com os tubos de spray foi aos 13 anos de idade, quando ainda não tinha a menor ideia de que aquilo poderia ser arte. "Comecei pichando, mas, felizmente, em pouco tempo, conheci pessoas certas e descobri que poderia ser uma manifestação artística", lembra.
Curioso, o garoto perguntava, observava atentamente os mais velhos e treinava sozinho. O aprimoramento veio rapidamente e, consequentemente, o destaque no meio. No entanto, por armadilhas da vida que, muitas vezes, não se explicam, ele ingressou na criminalidade, aos 17 anos, e a arte ficou em segundo plano.
Foram três anos sem pegar num frasco de spray, e que poderiam tê-lo separado definitivamente da arte. "Um dia, andando pelas ruas, vi um grupo de amigos fazendo grafite. Lembrei de como eu tinha talento e o que havia perdido nesse tempo, principalmente a família. Decidi voltar e tive apoio dos amigos. Desde então, só aprimorei minha arte."
Napa ingressou num curso e em seguida virou monitor. Em pouco tempo, também já estava dando aulas e começou a participar de vários encontros em outras cidades. "Fui convidado para vários eventos e trabalhos comerciais. Minha vida deu uma guinada e mudou totalmente", revela. Essa mudança, inclusive, é que usa como exemplo para seus alunos, adolescentes em conflito com a lei que cumprem medidas socioeducativas. Um deles, uma adolescente, é hoje seu braço direito e ganhou o apelido de "Narizinho".
Toda a trajetória resultou na criação de um grupo de artistas locais, cada um com um estilo diferente, chamado Capstyle Crew Napaone, com a finalidade de divulgar talentos locais e regionais. "É uma forma de fortalecermos a arte do grafite, que tem inúmeros profissionais de qualidade", defende. (M.T.)

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