Começar de novo
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quarta-feira, 29 de agosto de 2012
Geraldo Bessa <br>TV Press 
Pela frequente repetição de elenco e tramas semelhantes, a sensação de ''déjà vu'' ao acompanhar boa parte das novela brasileiras é recorrente. Isso fica ainda mais evidente quando, em menos de um ano, dois atores que formaram um casal voltam a repetir a parceria. Como é o caso de Camila Pitanga e Lázaro Ramos, intérpretes de Carol e André em ''Insensato Coração'', de 2011, e que serão os apaixonados Isabel e Zé Maria em ''Lado a Lado'', próxima novela das seis, da Globo, que tem previsão de estreia para o dia 10 de setembro. ''É uma ótima coincidência. Pois além de voltar a trabalhar com a Camila, boa parte da equipe é a mesma de 'Insensato Coração'. O novo trabalho é uma novela de época, acho que isso minimiza as comparações com os personagens anteriores'', acredita Lázaro.
Outro casal que volta a se encontrar este ano na tevê é Roger Gobeth e Juliana Silveira. A primeira vez que os dois contracenaram como par romântico foi em ''Floribella'', folhetim infantojuvenil exibido pela Band em 2005. A partir de outubro, em ''Balacobaco'', da Record, os dois - que chegaram a ficar noivos na vida real e depois romperam - serão Isabel e Danilo. ''Já começamos a gravar. Como somos muito amigos até hoje, é legal voltar a trabalhar juntos, agora em uma trama adulta'', conta Juliana.
A teledramaturgia nacional tem vários casos de pares românticos recorrentes. No entanto, se hoje a escalação é feita a partir da ''química'' da dupla no vídeo e da preferência dos autores e diretores, nos folhetins dos anos 60 e 70, escalar duplas que obtiveram êxito em tramas anteriores era garantia de sucesso de audiência e dava identidade aos folhetins. Dessa fórmula, surgiram casais clássicos como Tarcísio Meira e Glória Menezes, Yoná Magalhães e Carlos Alberto, e Eva Wilma e Carlos Zara.
No caso de Regina Duarte, ao invés de apenas um par, ela dividiu ao longo da carreira quatro novelas com Cláudio Marzo: ''Véu de Noiva'', ''Minha Doce Namorada'', ''Carinhoso'' e ''Irmãos Coragem''. E outras três ao lado de Francisco Cuoco: ''Legião dos Esquecidos'', ''Selva de Pedra'' e ''Sétimo Sentido''. ''Naquela época o público vibrava ao saber que um casal iria retomar a parceira. Era uma loucura. Trabalhar com o Marzo e o Cuoco virou uma constante na minha vida. Ao longo dessas tramas, beijei, briguei e chorei muito com eles e por eles'', diverte-se Regina.
Com poucos núcleos e cenas, as novelas do passado eram apoiadas na trama e no carisma do casal principal, algo que em folhetins mais recentes foi sendo esvaziado pelo aumento do número de personagens e tramas paralelas. ''A novela quer retratar a realidade. As relações humanas também não duram mais tanto tempo. Hoje grava-se muito e o par romântico não está sempre em primeiro plano'', compara, entre risos, Glória Menezes, par de Tarcísio Meira - seu marido na vida real - em mais de 15 novelas e no seriado ''Tarcísio e Glória'', de 1988.
Atualmente, ao formarem de novo um casal, a maior preocupação dos atores é não seguir a mesma linha de atuação do anterior. Para isso, focam nas diferenças entre cada trabalho e buscam outros olhares e intenções para cada cena. ''O processo fica mais complicado. É claro que o público vai olhar e lembrar do par anterior, mas a gente trabalha para isso acontecer sem causar nenhum prejuízo ao trabalho que está indo ao ar'', analisa Giulia Gam, par de Edson Celulari nas novelas ''Que Rei Sou Eu?'' - trama que atualmente está sendo reprisada pelo canal Viva -, ''Fera Ferida'' e na minissérie ''Dona Flor e Seus Dois Maridos''.
Outro par recorrente na teledramaturgia dos últimos anos é Alexandre Borges e Cláudia Raia. Entre ''Engraçadinha'', de 1995, e ''Ti-Ti-Ti'', de 2010, a dupla já deu vida a seis casais na tevê. ''Brinco que Alexandre é o homem com quem mais tenho intimidade. Já fomos da comédia ao drama, já rolamos na lama (risos). É bom trabalhar com quem tenho afinidade. Afinal, casal romântico em novela se beija muito, né?'', diverte-se Cláudia.


