São Paulo, 28 (AE) - Começa amanhã (01), às 19 horas, a primeira eliminatória do 2.º Prêmio Visa de MPB - Edição Vocal. Vão apresentar-se, na Sala Rubens Sverner, do Teatro Cultura Artística, em São Paulo, 4 dos 24 classificados: a paulistana Christina Herlander, o baiano Alexandre Leão e ainda Patrícia Acerbi e Cláudia Regina de Souza, ambas de São Paulo. A cada segunda-feira, até 5 de abril, quatro candidatos farão suas apresentações. Nos dias 20 e 26 de abril e 3 de maio serão realizadas as semifinais. A finalíssima será no dia 31 de maio, no mesmo Teatro Cultura Artística, mas na Sala Esther Mesquita.
O vencedor - que poderá ser um cantor, uma cantora ou um grupo vocal - receberá de prêmio R$ 40 mil e gravará um CD pela gravadora Eldorado. O segundo colocado receberá R$ 10 mil de prêmio; o terceiro, R$ 6 mil; o quarto, R$ 5 mil; e o quinto, R$ 2 mil. No total, são R$ 63 mil em prêmios. É a maior premiação da história dos festivais brasileiros. O ingresso para as apresentações é gratuito.
O Prêmio Visa - Edição Vocal é o único prêmio destinado exclusivamente a vozes de canto popular. Trata-se de uma produção da Rádio Eldorado, criada por João Lara Mesquita, que dirige a rádio e também a gravadora e a distribuidora Eldorado, com patrocínio dos cartões Visa.
A primeira edição do Prêmio Visa, no ano passado, contemplou instrumentistas de música popular brasileira. Os vencedores - o pianista André Mehmari, o contrabaixista Célio de Barros, o bandolinista Hamilton de Holanda, o guitarrista Nelson Veras e o duo de flauta e piano formado por Fábio Torres e Rodrigo Y Castro - são eram jovens músicos de imenso talento e projeção inversamente proporcional. O Prêmio Visa tornou-os conhecidos. A partir dele, quase todos gravaram discos e participaram de eventos nobres da música popular, como o festival Chorando Alto, que teve no menino brasiliense Hamilton de Holanda a grande surpresa.
Essa é a função do Prêmio Visa: abrir portas para jovens talentos, num mercado em que as oportunidades são cada vez mais restritas. O prêmio é uma grande vitrine. E a medida de sua urgência pode ser tomada pela quantidade de inscritos: 1.235 cantores, cantoras e grupos mandaram fitas para a comissão que fez a pré-seleção, presidida pelo maestro Nelson Ayres, da Orquestra Jazz Sinfônica.
Foi Nelson Ayres quem propôs a realização do prêmio vocal. Era presidente do júri do 1.º Prêmio Visa, do ano passado
instrumental. Imaginou que a chance dada aos instrumentistas poderia ser estendida para as vozes. Fez a sugestão a João Lara Mesquita, que gostou da idéia e consultou gente ligada a música, recebendo apoio de todos os consultados. Os cartões Visa, por seu turno, aumentaram o valor da premiação.
Curiosamente, classificaram-se 22 solistas e apenas dois grupos vocais: um duo paranaense, o Due Fratelli, formado por Fabiano e Renato Panes Brunholi, e um quarteto de Natal, Rio Grande do Norte, o Quarteto Shekhynah. Classificaram-se mais cantoras - 17 - do que cantores - apenas 5. Repete-se aqui uma tradição recente: tem sido maior o número de intérpretes populares femininos do que masculinos.
Exigiu-se dos candidatos que tivessem até 29 anos e que, na fita em que se apresentavam, cantassem músicas conhecidas, para que os selecionadores tivessem parâmetros de julgamento. De acordo com Nelson Ayres, as candidatas demonstraram, na primeira avaliação, um gosto musical mais sofisticado do que os candidatos.
Mas isso foi na triagem. Os 24 classificados têm bom gosto musical, todos. São ótimos, todos. São a nata emergente, a que precisa vir à tona. O que deixa, desde já, o corpo de jurados em situação muito difícil. O júri tem um corpo fixo, presidido por Nelson Ayres e integrado pelo violonista Paulinho Nogueira, pela cantora Jane Duboc e pelo maestro (da Orquestra Sinfônica Municipal) Mário Zaccaro. A cada eliminatória, e também nas semifinais e na finalíssima, haverá um convidado - alguém ligado a música. O jurado convidado de amanhã é o jornalista Celso Masson.
A maioria dos classificados é gente que canta profissionalmente ou semiprofissionalmente. Há pelo menos um nome conhecido - o da cantora Mônica Salmaso, que tem dois CDs lançados. Ela canta na terceira eliminatória, no dia 15. O regulamento não previa restrições quanto ao ineditismo. O concurso existe para quem precisa ampliar seu espaço no mercado. É o caso.
Cada candidato deverá cantar quatro músicas. O repertório escolhido pelos que vão apresentar-se hoje não deixa dúvidas quanto à sofisticação e o grau de informação musical de cada um. Christina Herlander abrirá sua apresentação com o "Choro pro Zé", de Guinga e Aldir Blanc, seguindo com "Pedro Brasil", de Djavan, "Preciso Me Encontrar", de Cartola, e "Uricuri", de João do Vale e José Cândido. Alexandre Leão escolheu "Milagre e João Valentão", de Dorival Caymmi, "Folha de Papel", de Sérgio Ricardo, e "Maria das Mercedes", de Djavan.
As músicas de Cláudia Regina de Souza serão "Chega de Saudade e água de Beber", de Tom Jobim e Vinícius de Morais, "Estamos Aí", de Maurício Einhorn, Durval Ferreira e Regina Wernek, e "Canto de Ossanha", de Baden Powell e Vinícius de Morais. Patrícia Acerbi tem um gosto mais pop: escolheu Rita Lee ("Fora da Lei", parceria com Ed Motta), Jorge Ben Jor ("Zazueira"), Marcos e Paulo Sérgio Valle ("Black Is Beautiful") e uma bossa nova clássica de Tom Jobim, "Triste".
O repertório vale como esboço de uma antologia da música popular brasileira - que certamente estará sendo completada ao longo das apresentações. E o interesse de jovens intérpretes por músicas tão sofisticadas é indicativo de que, por mais que a indústria cultural tente, não conseguirá substituir Jobim, Cartola, Guinga pelos produtos de consumo imediato e descartáveis. Neste sentido, o Prêmio Visa é, também, uma festa de resistência cultural. Os classificados: Christina Herlander, Alexandre Leão, Cláudia Regina de Souza, Patrícia Acerbi, Anna Torres, Ana Luíza, Rita Errico, Dudu Salinas, Due Fratelli, Mônica Salmaso, Quarteto Shekhynah, Rita de Cássia Braga da Silva, Adriana Godoy, Tito Bahiense, Daniela Rocha, Cristiane de Brito Cambpell, Ana Cláudia Lima Dutra, Otávio Vazzi, Luciana Batista Alves, Marcelo Vianna, Luciene Rodrigues Sampaio, Bárbara Mendes Gonçalves, Ana Patrícia Oliveira Melo e Cláudia Renata Menezes Rego.

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