De novo, deu o lobby. Os irmãos Weinstein, donos do estúdio Miramax, conseguiram emplacar seu fraco ‘‘Chocolate’’ em duas importantes categorias, melhor filme e atriz, nas indicações ao Oscar 2001, anunciadas ontem em Los Angeles. É o nono ano seguido que um filme deles concorre a um dos prêmios principais.
A indicação de Juliette Binoche a melhor atriz foi menos surpreendente, mas, quando o primeiro dos indicados a filme foi anunciado, a imprensa internacional presente na cerimônia fez muxoxo. Estava evidente que cada centavo dos US$ 30 milhões empregados na publicidade de um filme que custou US$ 25 milhões valeram a pena.
Os irmãos W conseguiram ainda faturar duas atrizes coadjuvantes (Judie Dench e Julie Walters), música e roteiro adaptado por ‘‘Chocolate’’ e até mesmo música e direção de fotografia para ‘‘MalSna’’, de Giuseppe Tornatore (‘‘Cinema Paradiso’’).
Concorrerão ainda na categoria filme os previstos ‘‘O Gladiador’’, com 12 indicações, ‘‘O Tigre e o Dragão’’, dez indicações, e ‘‘Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento’’ e ‘‘Tráfico’’, ambos de Steven Soderbergh, o grande prestigiado da manhã de ontem.
Ele está bem acompanhado historicamente: a última vez que um diretor viu dois de seus filmes concorrerem foi em 1974, quando um jovem Francis Ford Coppola emplacou ‘‘A Conversação’’ e ‘‘O Poderoso Chefão 2’’ (o vencedor), duas obras-primas.
O autor de ‘‘Sexo, Mentiras e Videotape’’, 38 anos, concorre duplamente também na categoria de diretor. A única ocasião que isso ocorreu foi em 1938, quando Michael Curtiz por ‘‘Anjos de Cara Suja’’ e ‘‘Quatro Filhas’’.
Com ele brigarão Ridley Scott (‘‘Gladiador’’), Ang Lee (‘‘O Tigre e o Dragão’’) e a zebra Stephen Daldry, do britânico ‘‘Billy Elliott’’.
Entre os atores, não houve surpresa: Russell Crowe (‘‘Gladiador’’), Tom Hanks (‘‘Náufrago’’), Geoffrey Rush (‘‘Os Contos Proibidos do Marquês de Sade’’), Ed Harris (‘‘Pollock’’) e o espanhol Javier Bardem (‘‘Antes que Anoiteça’’), o mais comemorado na manhã de ontem.
Na contrapartida feminina, brigam Julia Roberts (‘‘Erin’’), Laura Linney (‘‘You Can Count on Me’’), Ellen Burstyn (merecidíssimo por seu papel no subversivo ‘‘Requiem for a Dream’’), Joan Allen (‘‘The Contender’’) e a já citada Juliette Binoche.
Os filmes de Soderbergh emplacaram ainda melhor roteiro original, ator coadjuvante e atriz coadjuvante (‘‘Erin’’), roteiro adaptado, do talentoso ator coadjuvante e edição (‘‘Tráfico’’).
‘‘O Tigre e o Dragão’’, a belíssima fábula marcial de Ang Lee, já é o filme não-falado em língua inglesa de maior sucesso nas bilheterias da história dos EUA. Bateu ‘‘A Vida É Bela’’, de Roberto Benigni, nesta semana, ao alcançar US$ 60,3 milhões.
Entre os indicados a melhor filme estrangeiro, não deu Brasil. Andrucha Waddington concorria com ‘‘Eu Tu Eles’’, mas ficou de fora. É o segundo ano seguido (no ano passado, o indicado era ‘‘Orfeu’’, de Cacá Diegues).
Não pode ter pesado o fato de o segundo longa do diretor da produtora Conspiração ser comédia, que Hollywood rejeitaria nesta categoria: pelo menos dois dos cinco indicados são do mesmo gênero. O problema é que o selo do brasileiro nos EUA, a Sony Classics, é o mesmo de ‘‘O Tigre e o Dragão’’, no qual os esforços foram concentrados. Esforços que deram certo, já que o filme de Ang Lee conseguiu a indicação e é o franco favorito.
A entrega do 73º Oscar acontece na noite de 25 de março.

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