COMEÇA A CORRIDA AO OSCAR
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terça-feira, 13 de fevereiro de 2001
Sérgio Dávila Agência Folha 
De novo, deu o lobby. Os irmãos Weinstein, donos do estúdio Miramax, conseguiram emplacar seu fraco Chocolate em duas importantes categorias, melhor filme e atriz, nas indicações ao Oscar 2001, anunciadas ontem em Los Angeles. É o nono ano seguido que um filme deles concorre a um dos prêmios principais.
A indicação de Juliette Binoche a melhor atriz foi menos surpreendente, mas, quando o primeiro dos indicados a filme foi anunciado, a imprensa internacional presente na cerimônia fez muxoxo. Estava evidente que cada centavo dos US$ 30 milhões empregados na publicidade de um filme que custou US$ 25 milhões valeram a pena.
Os irmãos W conseguiram ainda faturar duas atrizes coadjuvantes (Judie Dench e Julie Walters), música e roteiro adaptado por Chocolate e até mesmo música e direção de fotografia para MalSna, de Giuseppe Tornatore (Cinema Paradiso).
Concorrerão ainda na categoria filme os previstos O Gladiador, com 12 indicações, O Tigre e o Dragão, dez indicações, e Erin Brockovich - Uma Mulher de Talento e Tráfico, ambos de Steven Soderbergh, o grande prestigiado da manhã de ontem.
Ele está bem acompanhado historicamente: a última vez que um diretor viu dois de seus filmes concorrerem foi em 1974, quando um jovem Francis Ford Coppola emplacou A Conversação e O Poderoso Chefão 2 (o vencedor), duas obras-primas.
O autor de Sexo, Mentiras e Videotape, 38 anos, concorre duplamente também na categoria de diretor. A única ocasião que isso ocorreu foi em 1938, quando Michael Curtiz por Anjos de Cara Suja e Quatro Filhas.
Com ele brigarão Ridley Scott (Gladiador), Ang Lee (O Tigre e o Dragão) e a zebra Stephen Daldry, do britânico Billy Elliott.
Entre os atores, não houve surpresa: Russell Crowe (Gladiador), Tom Hanks (Náufrago), Geoffrey Rush (Os Contos Proibidos do Marquês de Sade), Ed Harris (Pollock) e o espanhol Javier Bardem (Antes que Anoiteça), o mais comemorado na manhã de ontem.
Na contrapartida feminina, brigam Julia Roberts (Erin), Laura Linney (You Can Count on Me), Ellen Burstyn (merecidíssimo por seu papel no subversivo Requiem for a Dream), Joan Allen (The Contender) e a já citada Juliette Binoche.
Os filmes de Soderbergh emplacaram ainda melhor roteiro original, ator coadjuvante e atriz coadjuvante (Erin), roteiro adaptado, do talentoso ator coadjuvante e edição (Tráfico).
O Tigre e o Dragão, a belíssima fábula marcial de Ang Lee, já é o filme não-falado em língua inglesa de maior sucesso nas bilheterias da história dos EUA. Bateu A Vida É Bela, de Roberto Benigni, nesta semana, ao alcançar US$ 60,3 milhões.
Entre os indicados a melhor filme estrangeiro, não deu Brasil. Andrucha Waddington concorria com Eu Tu Eles, mas ficou de fora. É o segundo ano seguido (no ano passado, o indicado era Orfeu, de Cacá Diegues).
Não pode ter pesado o fato de o segundo longa do diretor da produtora Conspiração ser comédia, que Hollywood rejeitaria nesta categoria: pelo menos dois dos cinco indicados são do mesmo gênero. O problema é que o selo do brasileiro nos EUA, a Sony Classics, é o mesmo de O Tigre e o Dragão, no qual os esforços foram concentrados. Esforços que deram certo, já que o filme de Ang Lee conseguiu a indicação e é o franco favorito.
A entrega do 73º Oscar acontece na noite de 25 de março.


